Romney faz plano econômico para agradar republicanos moderados

O pré-candidato republicano a presidente dos Estados Unidos Mitt Romney lançou na terça-feira um plano econômico feito sob medida para agradar à ala centrista do seu partido, com propostas de redução de gastos públicos e impostos, e a escolha de conhecidas personalidades republicanas para assessorá-lo.

PATRICIA ZENGERLE, REUTERS

06 Setembro 2011 | 18h14

O ex-governador de Massachusetts, que irá apresentar em Nevada o seu plano de 59 itens para a geração de empregos, incluiu dois ex-integrantes do governo de George W. Bush entre os quatro membros da sua equipe econômica: Glenn Hubbard, que presidiu o Conselho de Assessores Econômicos de Bush entre 2001 e 2003, e seu sucessor, Gregory Mankiw.

No discurso em que anunciará o plano, Romney deve prometer reduzir impostos corporativos, diminuir as regulamentações federais e adotar uma postura mais dura em relação à China nas questões comerciais. O anúncio ocorre dois dias antes de o presidente Barack Obama fazer um importante pronunciamento a respeito de economia e empregos.

O plano de Romney reflete a ortodoxia do Partido Republicano, com ênfase no corte de impostos e na eliminação de regras. Romney também deve promover acordos de livre comércio com outros países e estimular a produção interna de energia, inclusive energia nuclear, petróleo, gás e carvão, e buscar uma emenda constitucional para equilibrar o orçamento.

"(Combate a) impostos altos e regulamentações - esse é basicamente um mantra para o Partido Republicano", disse David Madland, diretor do Projeto do Trabalhador Americano, do Fundo de Ação do Centro para o Progresso Americano, uma entidade liberal.

Apesar de ter feito acenos ao movimento conservador Tea Party em um comício no fim de semana, Romney está se distanciando de candidatos que se inclinam mais para a direita, incluindo seus principais rivais, o governador do Texas, Rick Perry, e a deputada Michele Bachmann.

"Ele está tentando ir para o centro conservador", disse Julian Zelizer, cientista político da Universidade Princeton, acrescentando que os eleitores das primárias republicanas terão principalmente duas preocupações: gostar do candidato e achar que ele terá chances de derrotar Barack Obama na eleição de 2012. As pesquisas mostram que Romney teria mais chances do que Perry ou Bachman contra o atual presidente democrata.

Em artigo publicado no jornal USA Today, Romney disse que, já no primeiro dia do seu eventual governo, colocará em vigor 10 por cento das suas propostas para a geração de empregos.

"Cada proposta está arraigada na premissa conservadora de que o governo em si não pode criar empregos", escreveu Romney. "Na melhor das hipóteses, o governo pode oferecer um marco no qual o crescimento econômico poderá ocorrer."

Romney largou na frente nas pesquisas pela indicação republicana, mas acabou sendo ultrapassado por Perry. Tentando recuperar o terreno, o ex-governador tem salientado sua experiência na iniciativa privada - ele é cofundador da firma de investimentos Bain Capital.

(Reportagem adicional de Kim Dixon)

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