Romney têm desempenho melhor, mas fica dúvida sobre mudança nas intenções de voto

Obama evitou gafes, mas não teve brilho, enquanto Romney foi impetuoso; na opinião de analista, faltou clareza nas propostas

Ben Feller*,

04 de outubro de 2012 | 10h09

WASHINGTON - O republicano Mitt Romney foi impetuoso e se divertiu durante o primeiro debate da corrida presidencial norte-americana na noite desta quarta-feira. Já o presidente Barack Obama apareceu como um professor sem muita popularidade.

A contragosto, os democratas reconheceram que Romney teve um desempenho melhor neste primeiro debate, mas o que realmente importa é se o candidato republicado conseguiu mudar os rumos da corrida presidencial que ele aparentemente está perdendo.

As melhores respostas virão ao longo dos próximos dias: o debate ajudou Romney a reverter seu déficit de votos em um estado decisivo como Ohio? Ou a conseguir a liderança nas intenções de voto na Flórida, Virgínia e outros estados em que Obama administra uma pequena vantagem?

O julgamento pode ser melhor conduzido considerando o que Obama e Romney se propuseram a fazer.

Por esse ponto de vista, Romney não mudou o jogo, mas com certeza jogou melhor. No debate, Obama evitou gafes, mas parecia - surpreendentemente - sem brilho.

O presidente Obama manteve guardada uma das mais fortes armas de seu arsenal político: um vídeo em que Romney comenta a doadores de sua campanha que "47% dos norte-americanos se veem como um grupo de vítimas com direitos, e que ele não pode convencê-los a assumir a responsabilidade e tomar conta de suas vidas."

O vídeo tem prejudicado a candidatura de Romney à presidência e mostra como os dois candidatos têm visões diferentes sobre o papel do governo e da população.

O presidente Obama não mencionou o vídeo em nenhum dos 90 minutos de debate, apesar de falar sobre o caso diariamente em seus atos de campanha.

A equipe de campanha de Obama contestou a ideia de que o presidente perdeu uma oportunidade de ataque. O argumento é de que as próprias palavras de Romney, que a campanha de Obama está usando em anúncios de televisão, são mais eficazes.

O maior problema do presidente aparentemente foi que ele foi pego exatamente no ponto em que queria evitar. Simpático, Romney insistiu no desafio das acusações em vez de responder cada resposta claramente e com argumentos coerentes sobre como ele poderia ajudar as pessoas nos próximos quatro anos.

A noite de quarta-feira foi uma rara chance para Obama, neste ano de eleição, alcançar milhões de pessoas diretamente, ainda que o ritmo truncado do debate e os desvios de assunto tenham dificultado seu desempenho.

Em meio ao denso debate em que faltou muita disciplina, algo importante apareceu - respostas sobre como os dois homens poderiam governar o país diferentemente.

Mas boa sorte para o eleitor indeciso que precisou escolher.

Por vezes, o debate seguiu com versões complicadas e contraditórias dos planos dos candidatos e com uma dose de referências de internas de Washington, mesmo os eleitores clamando por diferenças específicas.

*Ben Feller é correspondente da AP na Casa Branca e cobriu a disputa presidencial entre Barack Obama e George W. Bush.

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