Ron Kirk diz que não existe guerra comercial com a China

O representante comercial dos EUA, Ron Kirk, disse no sábado que os Estados Unidos não estão travando uma guerra comercial com a China, mas que ele está preocupado com a tendência da China de retaliar quando outros membros da Organização Mundial de Comércio, (OMC) levantam questões comerciais contra ela.

TOM MILES, REUTERS

17 de dezembro de 2011 | 18h11

"Estou preocupado com o que vejo como uma tendência da China de retaliar quando os membros -não apenas os Estados Unidos- outros membros da OMC cobram da China uma solução para controvérsias sobre questões legítimas," disse Kirk, numa entrevista.

"Isso não é prejudicial apenas para o comércio global, não é apenas só de interesse dos membros da OMC."

"Mas acho que, em longo prazo, também não é do interesse da China. Isso começa a minar a sua credibilidade e fé no valor bilateral do comércio, do qual eles podem não só se beneficiar de forma espetacular e maravilhosa, como tem acontecido, mas eles também têm o compromisso e a responsabilidade proporcional de abrir o seu mercado de forma justa para nós."

Ao ser perguntado se os EUA estão travando uma guerra comercial com a China, ele disse: "Eu realmente nego isso. Não considero uma guerra comercial utilizar as ferramentas, os recursos que cada membro da OMC possui para abrir esse mercado, procurar a China e dizer: 'Nós acreditamos que a maneira que estão aplicando essa política não é compatível com a OMC'."

Kirk discursou no último dia da Conferência bienal ministerial em Genebra, onde os 153 países membros concordaram em aceitar a Rússia, Samoa e Montenegro e conquistou uma histórica reforma das regras de aquisição do governo.

Mas a conferência aconteceu no meio de expectativas muito baixas, decido ao impasse de dez anos da Rodada de Negociações de Doha, que efetivamente paralisou a capacidade da OMC de legislar.

Muitos diplomatas esperavam que a reunião fosse construtiva, mas na véspera do encontro, a China aplicou impostos punitivos de até 22 por cento em carros grandes e utilitários (SUV), fabricados nos EUA, um fluxo de exportação dos EUA no valor de quase quatro bilhões de dólares por ano.

A decisão da China de impor os impostos foi vista como uma retaliação, "olho por olho" depois que os EUA desafiaram a China no setor de energia solar e no setor avícola.

"Parte da fundação de um sistema baseado em regras é a dissolução de controvérsias," disse Kirk. "Isso é o que achamos que é tão importante sobre a OMC. Como a China reage a isso, depende dela. Mas eu não posso simplesmente aceitar os argumentos de que a nossa posição de defender e proteger os direitos dos nossos trabalhadores e exportadores possa ser protecionista ou de alguma estar começando uma guerra comercial."

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