Rove, o guru político de Bush, pede demissão

Apelidado de 'arquiteto', estrategista do governo foi responsável pelas duas vitórias presidenciais

Patrícia Campos Mello, Estadão

13 de agosto de 2007 | 21h13

Karl Rove, um dos mais poderosos assessores do presidente George W Bush, anunciou nesta segunda-feira, 13, que deixará o governo até o final do mês.   Veja Também Karl Rove foi o 'cérebro' de George W. Bush Estrategista de Bush deixa a Casa Branca  Conheça os principais escândalos envolvendo Karl Rove Vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Rove foi o estrategista das duas vitórias eleitorais de Bush e era uma das figuras mais controversas do governo. Ele foi apelidado pelo presidente de "o arquiteto", por ter planejado os passos políticos de Bush nos últimos 14 anos, desde seu governo no Texas, e também de "turd blossom", expressão que identifica flores nascidas do esterco, ou seja, pessoa que consegue fazer "milagres".  "Parece ser o momento certo para pensar no próximo capítulo da vida da minha família", disse Rove em entrevista coletiva no gramado da Casa Branca, com a voz embargada. "Não foi uma decisão fácil", disse, emocionado, ao lado do presidente.  Bush, por sua vez, chamou Rove de "querido amigo" e agradeceu seu "sacrifício" pela nação. "Vamos continuar amigos, estarei na estrada, um pouco atrás de você", disse Bush, que partiu acompanhado de Rove para suas duas semanas de férias no rancho em Crawford, no Texas. Bush e Rove são amigos há 34 anos. O New York Times chamou Rove de "parteiro da persona política" de Bush.  Rove é um dos últimos texanos - um dos poucos remanescentes de um círculo de amigos que veio com Bush do Texas para Washington em 2001. Dan Bartlett, outro conselheiro muito próximo, renunciou em julho, após 13 anos com Bush. Sobraram o secretário de Justiça, Alberto Gonzales, em situação bastante frágil, e Karen Hughes, subsecretária de Relações Públicas do departamento de Estado ele anunciou sua saída em entrevista publicada ontem na conservadora página de opinião do Wall Street Journal, com o título "A marca de Rove". Na reportagem, Rove afirmou que já conversava com o presidente há um ano sobre sua saída. Mas, com a derrota nas eleições legislativas de novembro do ano passado, resolveu ficar mais tempo. Ele aproveitou a entrevista para, mais uma vez, criticar sua nêmesis, a candidata democrata Hillary Clinton. Segundo Rove, Hillary deve ser a indicada do partido Democrata para a candidatura à eleição presidencial, mas é uma candidata "durona, persistente e com falhas fatais". Ele prevê uma vitória Republicana em 2008, uma melhora na situação do Iraque e elevação da popularidade de Bush.  O conselheiro de Bush afirmou que quer passar mais tempo com sua família no Texas, escrever um livro sobre o governo Bush, com a bênção do presidente, e posteriormente dar aulas em uma universidade.  Mas apesar de ter dito que não pretende se envolver na campanha presidencial de 2008, muitos apostam que ele vai se oferecer para ajudar o indicado do Partido Republicano.  Para alguns, Rove é um gênio político que criou o conservadorismo compassivo e conquistou a direita cristã, garantindo vitórias republicanas. Para os críticos, ele personifica todos os vícios do governo Bush, o excessivo partidarismo, a mania de segredos e a politicagem agressiva.  Rove teria parte da responsabilidade pela lavada que os republicanos levaram nas eleições legislativas e o fracasso das reformas da lei de imigração e previdência social. Também esteve implicado no caso do vazamento da identidade da agente da CIA Valerie Plame e foi intimado para depor no caso das demissões dos procuradores americanos por motivos políticos. Mas a Casa Branca alegou privilégio do executivo para impedir que Rove depusesse.  Para analistas, sua saída vai enfraquecer ainda mais os 17 meses restantes do mandato "pato manco" de Bush, mergulhado no atoleiro do Iraque e em índices de popularidade baixíssimos. E pode fortalecer o vice-presidente Dick Cheney - afinal, os dois eram os maiores confidentes de Bush.  "Rove era um fardo para o governo Bush porque havia se tornado muito impopular", diz Costas Panagopoulos, professor de ciência política na Fordham University. "Mas sua saída é muito tardia para trazer algum dividendo político."  O pré candidato democrata John Edwards foi ainda mais ácido - "Já vai tarde", disse, sobre a saída de Rove.  A Casa Branca ainda não decidiu se vai substituí-lo - provavelmente vai dividir sua função entre vários funcionários. Seria difícil achar uma pessoal que desempenhasse sua função.

Tudo o que sabemos sobre:
Estados UnidosBushRove

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.