Rússia assume controle da capital de Ossétia do Sul

Tropas russas dominaram nodomingo a maior parte da capital da região separatista Ossétiado Sul, na Geórgia, após três dias de batalhas. Os EstadosUnidos condenaram a ação de Moscou como "perigosa edesproporcional". A Rússia invadiu com tropas e tanques a pequena Geórgiaapós a tentativa de Tbilisi na quinta-feira à noite de retomara Ossétia do Sul, uma pequena província pró-Rússia que seseparou da Geórgia nos anos 90. A crise, que se agravou rapidamente, alarmou os EstadosUnidos, o principal aliado da Geórgia, e gerou tensões entre osinvestidores na Rússia, que venderam ações e dinheiro nasexta-feira temendo que o conflito se intensificasse. Autoridades russas disseram ter tomado o controle nodomingo de grande parte de Tskhinvali, a capital de Ossétia doSul, que foi devastada por intensos combates. "A partir de hoje a maior parte da cidade (Tskhinvali) estácontrolada pelas forças de paz da Rússia", disse ocoronel-general russo Anatoly Nagovitsyn, em um comunicadooficial em Moscou. A Geórgia confirmou a retirada de suas tropas da cidade. Osecretário do Conselho de Segurança Nacional da Geórgia, KakhaLomaia, disse que "comandantes militares tomaram a decisão deretirada de Tskhinvali nesta manhã". Observada a partir de Gori, no território controlado pelaGeórgia, Tskhinvali estava aparentemente tranqüila. Umcorrespondente da Reuters reportou ter ouvido apenas umaexplosão. Um comboio de tropas da Geórgia deixou a Ossétia do Sul viaErgneti, uma vila próxima ao território controlado pela Geórgiano sul de Tskhinvali, mas Lomaia disse que as forças georgianasainda estavam combatenndo dentro de Ossétia do Sul e não haviamsido vencidas. AÇÕES PERIGOSAS A Casa Branca lamentou a ação militar russa, que incluiubombardeios em pelo menos três alvos na Geórgia fora de Ossétiado Sul. James Jeffrey, assessor para assuntos de segurança nacionaldo presidente George W. Bush, disse em Pequim --onde opresidente participava da abertura das Olimpíadas-- que asações de Moscou podem ter um "impacto significativo de longoprazo" nas relações. "Nós lamentamos as ações perigosas e desproporcionais dasforças russas e ficaremos particularmente preocupados se essesataques continuarem agora que os georgianos estão seretirando", ele disse. O papa Bento XVI pediu a suspensão imediata dos combates,expressando "profunda aflição" pela violência que estariavitimando muitos inocentes e forçando civis a deixarem suascasas. As autoridades russas disseram que o número de mortos nocombates que começaram na quinta-feira chega a 2.000. A Geórgiadisse na sexta-feira haver até 300 pessoas mortas, a maioriacivis. "Eu tenho esperança de que a ação militar irá pararimediatamente e que eles vão se abster, em nome da herançacristã em comum, de mais combates e violência", disse o papa emseu pronunciamento no domingo. A Géorgia e a Rússia são nações cristãs ortodoxas, emboratenham igrejas nacionais separadas. A televisão russa mostrou imagens que seriam de Tskhinvalicom prédios incendiados, civis feridos recebendo atendimentomédico em porões sujos e mães chorando e reclamando da falta deágua e comida. "Os tanques da Geórgia atiraram contra tudo o que viram,incluindo mulheres e crianças", disse uma testemunha após tersido retirada para a região russa de Ossétia do Norte. Em Genebra, o comissário das Nações Unidas para refugiadosAntonio Guterres expressou sua preocupação com a situação demilhares de civis surpreendidos pelos combates na região deOssétia do Sul, onde vivem mais de 70 mil pessoas.

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