Rússia aumenta isolamento por crise com Geórgia, diz Rice

Secretária de Estado afirma que Moscou compreende que comportamento em relação ao conflito terá custos

Agências internacionais,

05 de setembro de 2008 | 07h18

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse nesta sexta-feira, 5, que a Rússia está ficando mais isolada pelas ações que vem tomando na Geórgia, sem honrar seus compromissos, e entende que seu comportamento terá um custo.   Veja também: Entenda o conflito separatista na Geórgia   "Os russos estão começando a entender que há custos para este tipo de comportamento", disse Rice a jornalistas após reunir-se com o ministro português do Exterior, Luís Amado. "Tenho bastante certeza de que a Rússia compreende que está aprofundando seu isolamento e que não haverá saída a não ser que ela honre seus compromissos", disse ela, numa referência ao plano de paz negociado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy.   Rice falou durante entrevista coletiva em Lisboa, em escala para a Líbia. Segundo a secretária de Estado, a resposta do Ocidente ao conflito na Geórgia deve frustrar a Rússia de alcançar os seus "objetivos estratégicos". O ministro de Relações Exteriores português, Luis Amado, afirmou que é crucial que os países do Ocidente devem se unir nas negociações com a Rússia, pois esta pode ser uma situação muito perigosa caso o grupo se rompa.   A chefe da diplomacia dos Estados Unidos ressaltou também que a viagem que iniciará nesta sexta no norte da África servirá para conhecer o alcance da mudança realizada pelas autoridades da Líbia, na primeira visita de um secretário de Estado dos EUA ao país nos últimos 55 anos, com o objetivo de estreitar os laços entre os dois países. As relações diplomáticas melhoraram depois que a Líbia abandonou o seu programa de armas de destruição em massa, em 2003, ainda que Rice tenha se negado a encontrar com membros do governo até o mês passado, quando firmaram um pacote de medidas para compensar as famílias da vítimas americanas que morreram ou foram feridas por bombardeios líbios.   Segundo a BBC, o governo líbio pagará indenização às vítimas do atentado contra o vôo da Pan Am sobre Lockerbie, na Escócia, em 1988, no qual morreram 270 pessoas, e às de um atentado a bomba em uma discoteca em Berlim em 1986, que matou 3 pessoas e feriu 229. O governo americano, por outro lado, concordou em indenizar vítimas dos bombardeios dos EUA em Trípoli e Benghazi em 1986.   Segundo o plano de viagem, o porta-voz de Rice definiu a reunião com o presidente líbio, Muanmar Kadafi, chamado pelo ex-presidente americano Ronald Reagan de "cachorro louco", como uma visita "histórica". Segundo fontes de Washington, a secretária de Estado abordará temas como a defesa dos direitos humanos e os conflitos regionais africanos no Chade, no Sudão e na Mauritânia.   Matéria atualizada às 8h30.

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