Rússia e EUA assinam pacto nuclear civil

A Rússia e os Estados Unidos assinaramna terça-feira um acordo de cooperação nuclear civil quepermitirá uma significativa ampliação do comércio nuclearbilateral entre empresas das duas maiores potências atômicas domundo. O acordo foi assinado em Moscou por Sergei Kiriyenko, chefeda estatal nuclear russa Rosatom, e o embaixador dos EUA nopaís, William Burns, que está deixando Moscou para assumir umposto no Departamento de Estado. A assinatura ocorreu na véspera do fim do mandato dopresidente da Rússia, Vladimir Putin. "O valor potencial deste acordo é o valor de todos oscontratos que podem ser assinados entre as empresas dos doispaíses na esfera nuclear, que é obviamente de bilhões dedólares", disse uma fonte russa antes da assinatura do acordo. Os EUA são um enorme mercado para a energia nuclear,enquanto a Rússia possui enormes reservas de urânio. O acordovinha sendo defendido pelos presidentes Putin e George W. Bushdesde a cúpula de São Petersburgo do G-8, em 2006, masenfrentava resistência de alguns parlamentares norte-americanosdevido à cooperação nuclear de Moscou com o Irã. "É simbólico que seja assinado no último dia do mandatopresidencial de Vladimir Putin", disse a fonte russa. O governo Bush ainda deverá submeter o acordo ao Congresso,dominado pela oposição democrata, que terá então 90 dias paravotá-lo. Caso isso não aconteça, o acordo entraráautomaticamente em vigor. O Parlamento russo, totalmentedominado por Putin, também deve ratificar o tratado. "Não se pode subestimar a importância deste acordo, porqueele abre às empresas russas o gigantesco mercadonorte-americano para materiais nucleares", disse VladimirYevseyev, pesquisador-sênior do Centro para a SegurançaInternacional de Moscou, antes da assinatura. Putin, que na quarta-feira transfere o cargo a DmitryMedvedev, reformou o setor nuclear russo para que se tornassemais competitivo e abriu o país a empresas atômicasestrangeiras, como a japonesa Toshiba, que controla anorte-americana Westinghouse Electric. A Rússia criou uma gigantesca empresa nuclear, aAtomenergoprom -- espécie de versão atômica da gigante do gásGazprom -- para competir com as principais empresas do mundo nomercado nuclear mundial. Os competidores incluem a parceria entre a francesa Areva ea alemã Siemens; a japonesa Toshiba; e a GE Hitachi, parceriaentre a norte-americana General Electric e a japonesa Hitachi. A Rússia tem cerca de 870 mil toneladas de urânio emreservas, mas a cifra passa de 1 milhão de toneladas se foremconsideradas também as atuais joint ventures no exterior. Masesse volume exclui as reservas estratégicas de urânio eplutônio altamente enriquecido, material para armas nucleares,cujo tamanho é um segredo de Estado. Um programa piloto já permite a venda aos EUA de urânioretirado de antigas armas nucleares russas.

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