Rússia reconhece Ossétia do Sul e Abkházia

O presidente russo, DmitryMedvedev, desafiou a pressão ocidental e anunciou naterça-feira que seu governo decidiu reconhecer a independênciade duas regiões separatistas da vizinha Geórgia. "Assinei decretos sobre o reconhecimento por parte daFederação Russa da independência da Ossétia do Sul e aindependência da Abkházia", disse Medvedev pela TV. O Ocidente aconselhou fortemente a Rússia a respeitar aintegridade territorial da Geórgia e não reconhecer aindependência das províncias separatistas, que desde a décadade 1990 já gozam de autonomia sob proteção de Moscou. A decisão de Medvedev segue uma resolução aprovada navéspera pelo Parlamento russo, mas que não era de cumprimentoobrigatório. Temendo um agravamento da tensão internacional, os mercadosreagiram negativamente à decisão. O índice RTS da bolsamoscovita caiu quase 6 por cento, puxada também pela queda nacotação do petróleo. O vice-chanceler da Geórgia, Giga Bokeria, viu noreconhecimento russo uma "anexação visível" do territóriogeorgiano. A França, que no começo do mês mediou um cessar-fogo entreRússia e Geórgia na sua disputa pela Ossétia do Sul, tambémrecriminou a decisão do Kremlin. "Consideramos uma decisão lamentável, e relembro nossoapego à integridade territorial da Geórgia", disse um porta-vozda chancelaria em Paris. Geórgia e Rússia travaram uma breve guerra neste mês,depois que Tbilisi enviou tropas para tentar recuperar ocontrole da república autônoma da Ossétia do Sul. A Rússiareagiu ocupando a Ossétia do Sul e partes da Geórgiapropriamente dita. Dmitry Rogozin, representante russo na Otan, disse que aatual situação remete às vésperas da Primeira Guerra Mundial, eque uma suspensão nas relações de Moscou com a aliançaocidental seria inevitável. "A atual atmosfera me lembra da situação na Europa em 1914,quando, por causa de um terrorista, importantes potênciasmundiais entraram em confronto," disse ele ao jornal RBK,referindo-se ao assassinato do arquiduque austro-húngaroFrancisco Ferdinando pelo militante nacionalista GavriloPrinzip, em Sarajevo, o que foi o estopim daquele conflito. "Espero que Mikheil Saakashvili (presidente da Geórgia) nãoentre para a história como um novo Gavrilo Prinzip",acrescentou Rogozin. (Reportagem de Oleg Shchedrov em Moscou) Por Denis Dyomkin SOCHI, Rússia, 26 de agosto (Reuters) - O presidente russo,Dmitry Medvedev, desafiou a pressão ocidental e anunciou naterça-feira que seu governo decidiu reconhecer a independênciade duas regiões separatistas da vizinha Geórgia. "Assinei decretos sobre o reconhecimento por parte daFederação Russa da independência da Ossétia do Sul e aindependência da Abkházia", disse Medvedev pela TV. O Ocidente aconselhou fortemente a Rússia a respeitar aintegridade territorial da Geórgia e não reconhecer aindependência das províncias separatistas, que desde a décadade 1990 já gozam de autonomia sob proteção de Moscou. A decisão de Medvedev segue uma resolução aprovada navéspera pelo Parlamento russo, mas que não era de cumprimentoobrigatório. Temendo um agravamento da tensão internacional, os mercadosreagiram negativamente à decisão. O índice RTS da bolsamoscovita caiu quase 6 por cento, puxada também pela queda nacotação do petróleo. O vice-chanceler da Geórgia, Giga Bokeria, viu noreconhecimento russo uma "anexação visível" do territóriogeorgiano. A França, que no começo do mês mediou um cessar-fogo entreRússia e Geórgia na sua disputa pela Ossétia do Sul, tambémrecriminou a decisão do Kremlin. "Consideramos uma decisão lamentável, e relembro nossoapego à integridade territorial da Geórgia", disse um porta-vozda chancelaria em Paris. Geórgia e Rússia travaram uma breve guerra neste mês,depois que Tbilisi enviou tropas para tentar recuperar ocontrole da república autônoma da Ossétia do Sul. A Rússiareagiu ocupando a Ossétia do Sul e partes da Geórgiapropriamente dita. Dmitry Rogozin, representante russo na Otan, disse que aatual situação remete às vésperas da Primeira Guerra Mundial, eque uma suspensão nas relações de Moscou com a aliançaocidental seria inevitável. "A atual atmosfera me lembra da situação na Europa em 1914,quando, por causa de um terrorista, importantes potênciasmundiais entraram em confronto," disse ele ao jornal RBK,referindo-se ao assassinato do arquiduque austro-húngaroFrancisco Ferdinando pelo militante nacionalista GavriloPrinzip, em Sarajevo, o que foi o estopim daquele conflito. "Espero que Mikheil Saakashvili (presidente da Geórgia) nãoentre para a história como um novo Gavrilo Prinzip",acrescentou Rogozin. (Reportagem de Oleg Shchedrov em Moscou)

DENIS DYOMKIN, REUTERS

26 de agosto de 2008 | 09h16

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