Saída de Rove pode abrir caminho para convocação no Senado

Democratas argumentam que privilégio executivo usado por Bush para impedir depoimento não tem mais validade

Agências internacionais,

14 de agosto de 2007 | 16h45

A anunciada saída de Karl Rove da administração americana não deve significar um alívio para o amigo do presidente George W. Bush, acusado de articular a demissão de oito procuradores federais no ano passado por motivos políticos. A informação está na edição desta terça-feira, 14, do Washington Post.   Veja Também Veja os principais escândalos envolvendo Rove Karl Rove foi o 'cérebro' de George W. Bush Rove, o guru político de Bush, pede demissão   "A renúncia de Karl Rove não irá barrar nossa investigação sobre a demissão dos procuradores americanos. Ele terá a mesma obrigação de revelar a verdade quando deixar o cargo como tem hoje", disse ao Post o senador democrata Charles E. Schumer, membro da comissão do Senado que investiga as demissões.   Rove anunciou sua decisão de deixar o governo na segunda-feira, 11 dias após recusar-se a depor frente à comissão. Embora tenha sido intimado pelos senadores, o estrategista foi impedido de falar devido a uma intervenção do presidente George W. Bush.   Assessores do senador Patrick J. Leahy, presidente da Comissão Judiciária do Senado, disseram que ele considera argumentar que a prerrogativa legal utilizada por Bush não terá validade depois que Rove sair do governo.   No começo de agosto, o conselheiro da Casa Branca Fred Fielding enviou a Leahy uma carta em que Bush dizia que Rove, "como um assessor imediato do presidente", estava imune de testemunhar sobre qualquer uma de suas atividades.   Especialistas em legislação americana parecem estar divididos sobre se a saída de Rove implicará em uma maior possibilidade de que ele seja interrogado. "Ele é próximo demais do 'rei'. Esse cara é o alter ego do 'rei'", disse o ex-conselheiro geral da Casa Branca Stanley Brand quando perguntado se o privilégio executivo utilizado pelo presidente se estenderia para funcionários demissionários.   Segundo o constitucionalista Charles Tiefer, no entanto, vários ex-membros da equipe da Casa Branca já testemunharam em outras ocasiões, mesmo após utilizar o critério de imunidade quando estavam no governo.   Para Tiefer, no caso de Rove, um dos argumentos mais utilizados por assessores que se recusam a depor não poderá mais ser usado. "Ele não pode mais dizer que sua aparição irá comprometer suas tarefas na Casa Branca. Está cada vez mais insustentável para ele se recusar a depor."

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