Sarkozy exige obediência a cessar-fogo na Geórgia

O presidente daFrança, Nicolas Sarkozy, exigiu na segunda-feira que Moscoucumpra um acordo de cessar-fogo que, segundo o Ocidente, obrigaà retirada das tropas russas de dentro da Geórgia. Rússia e Geórgia travaram uma breve guerra em agosto pelocontrole da Ossétia do Sul, uma região separatista georgianaque desde 1992 está sob proteção de Moscou. Sarkozy mediou umasuspensão do conflito, mas governos ocidentais dizem que aRússia está violando o acordo ao manter uma "zona-tampão" entrea Geórgia e as repúblicas separatistas da Ossétia do Sul e daAbkházia. "Compartilho plenamente o ponto de vista do presidente(russo, Dmitry) Medvedev, segundo quem o ponto de partida é oacordo", disse Sarkozy no início da sua reunião com o colegarusso. "É precisamente este acordo que deveria ser cumprido",acrescentou Sarkozy, que chegou a Moscou acompanhado pelopresidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, e pelochefe da política externa da UE, Javier Solana. "Não tenho dúvidas de que se todos agirem responsavelmentevamos encontrar uma solução. Como nossos amigos russos,queremos defender fortemente nossas convicções." Mais tarde, Sarkozy disse que a Rússia comprometeu-se aretirar os postos de controle dos arredores da cidade portuáriade Poti, na Geórgia, e que as forças russas deixarão as "áreasnúcleo" da Geórgia em uma semana. Enquanto a Rússia busca um tom conciliatório com a UE, suasrelações com os EUA vão piorando. Na segunda-feira Moscouanunciou o envio de navios de guerra --inclusive um cruzadornuclear-- para exercícios navais no Caribe. A Rússia se queixa da presença marítima dos EUA na costa domar Negro, mas nega qualquer ligação disso com seus exercíciosno Caribe --em que seus barcos ficaram atracados na Venezuelado antiamericano presidente Hugo Chávez. A União Européia ameaça suspender a discussão de uma novaparceria com a Rússia caso Moscou mantenha tropas na Geórgia.Mas o bloco europeu tem pouco poder de pressão sobre a Rússia,porque depende da energia exportada pelo gigante eurasiático. (Reportagem adicional de Aaron Gray-Block em Haia e ConorSweeney em Moscou)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.