Satélite vai se desintegrar sem atingir humanos, dizem EUA

Um satélite de espionagemnorte-americano deve se fragmentar ao cair sobre a Terra naspróximas semanas, praticamente sem representar risco algum paraos humanos, disseram autoridades dos EUA e especialistas nasegunda-feira. A maior parte dos pedaços que sobreviverem ao calor daentrada na atmosfera devem cair nos oceanos, que cobrem trêsquarto da Terra, segundo Gordon Johndroe, porta-voz do Conselhode Segurança Nacional da Casa Branca. Mas ele disse que o governo dos EUA está monitorando atrajetória descendente do satélite desativado e examinandovárias opções para "mitigar qualquer dano". Teoricamente, os militares poderiam usar um míssil paradestruir o satélite, do tamanho de uma minivan. Mas umaimportante fonte de defesa disse que isso não deve acontecerpor várias razões, como a preocupação em não criar lixoespacial, como fez a China no ano passado, quando abateu um deseus próprios satélites e deixou cerca de mil pequenas peças emórbita. "Dado que 75 por cento da Terra é coberta por água, emuitas terras são inabitadas, a probabilidade de este satéliteou quaisquer destroços caírem em uma área habitada é muitopequena", disse Johndroe. Bryan Whitman, porta-voz do Pentágono, disse que mais de 17mil objetos de fabricação humana voltaram à atmosfera terrestrenos últimos 50 anos, sem nenhum incidente grave. "Estamos monitorando, levamos nossas obrigações a sério arespeito do uso do espaço", disse Whitman, acrescentando que osatélite deve cair "no final de fevereiro ou começo de março". O satélite é uma peça considerada secreta, do EscritórioNacional de Reconhecimento, e foi lançado em 2006 da base aéreade Vandenberg, na Califórnia, segundo quatro altos-funcionáriosque pediram anonimato. Esse satélite, chamado L-21, está sem comunicação desdepouco depois de chegar à sua órbita de baixa altitude.Construído pela Lockheed Martin Corp. a um custo de centenas demilhões de dólares, já perdeu 70 quilômetros da altitude da suaórbita e está agora cerca de 280 quilômetros acima da Terra.Astrônomos norte-americanos e europeus estimam que ele estácaindo cada vez mais rápido, a um ritmo atual de 8 quilômetrospor dia. Uma vez que ele nunca esteve operacional, o satélite contémcombustível tóxico de foguete, que deveria ter sido usado paramanobras no espaço. Caso o tanque não exploda na reentrada,pode haver risco na Terra. Milhares de objetos espaciais caem por ano na Terra, masnormalmente se espalham por enormes áreas, e nunca houverelatos de feridos, segundo duas autoridades norte-americanas. Objetos maiores eventualmente sobrevivem, como um tanque deaço inoxidável, de 255 quilos, do foguete Delta 2, que em 1997caiu a 50 metros de uma casa rural no Texas. Este L-21 é muito menor e mais propenso a se queimarinteiramente na atmosfera, segundo cientistas. (Reportagem adicional de Andrew Gray)

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