Secretário dos EUA opta por cautela em viagem conturbada ao Afeganistão

Chuck Hagel teve uma estreia internacional assustadora na sua primeira viagem ao Afeganistão como secretário de Defesa dos EUA, a qual saiu totalmente do roteiro previsto e desafiou a narrativa norte-americana sobre os 11 anos de guerra no país.

PHIL STEWART, Reuters

11 de março de 2013 | 18h26

Seu primeiro dia inteiro no Afeganistão começou com o ruído de um atentado suicida a menos de um quilômetro do quartel da Otan onde ele realizava reuniões pela manhã. Mas o estrago mais grave veio no dia seguinte, quando o presidente Hamid Karzai, aliado sempre imprevisível dos EUA na guerra, acusou os Estados Unidos de se mancomunarem com o Taliban, horas antes de um encontro entre os dois.

Colocado em uma situação desconfortável, Hagel pareceu cauteloso para não criticar publicamente o líder afegão, embora tenha contestado firmemente as declarações de Karzai.

Reservadamente, Hagel solicitou e conseguiu uma reunião a sós com Karzai, na qual foi "firme e direto" com o presidente afegão, segundo uma fonte oficial dos EUA. Hagel não quis falar a jornalistas sobre detalhes da conversa particular.

Hagel, que foi senador pelo Partido Republicano e se submeteu em fevereiro a uma brutal sabatina de confirmação no Senado, chegou em alguns momentos a parecer solidário com Karzai.

"Já fui político", disse Hagel, de 66 anos, a jornalistas que o acompanham. "Então posso entender o tipo de pressão que eles - especialmente os líderes de países - sempre sofrem."

O secretário já havia demonstrado comedimento no sábado, logo após escutar o ruído de um atentado que deixou nove mortos no Ministério da Defesa. "Estamos em uma zona de guerra. Já estive na guerra (...), então não devemos nos surpreender quando uma bomba explode", disse ele.

Hagel tem boas razões para ser tão cauteloso. Qualquer coisa vista como gafe ou tropeço diplomático após um processo de confirmação tão agitado poderia dar mais munição a seus críticos republicanos, e complicar os esforços para acabar com a guerra no Afeganistão.

Os atentados do Taliban e as acusações de Karzai contrastam com as declarações otimistas de Hagel sobre os rumos da guerra. "Se você olhar para os últimos 11 anos, é bem impressionante o que aconteceu neste país", disse Hagel a jornalistas no domingo. "Sim, há um caminho pela frente. Sim, desafios. Sim, questões. Sim, diferenças. Mas não acho que nenhum desses sejam desafios que não possamos superar."

Na viagem, Hagel não respondeu a questões importantes sobre a estratégia de saída dos EUA para esse impopular conflito, incluindo a iminente decisão do governo sobre qual contingente Washington manterá no Afeganistão quando a missão da Otan terminar, no final de 2014.

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