Segunda enfermeira do Texas com Ebola viajou de avião

A segunda enfermeira de Dallas a ser infectada pelo vírus Ebola, enquanto cuidava de um paciente que morreu devido à doença, voou de avião um dia antes de apresentar sintomas, disseram autoridades do governo dos Estados Unidos e da companhia aérea, nesta quarta-feira.

TERRY WADE E LISA MARIA GARZA, REUTERS

15 de outubro de 2014 | 13h31

A funcionária do hospital Texas Health Presbyterian pegou um voo da Frontier Airlines de Cleveland, no Estado de Ohio, para Dallas em 13 de outubro, segundo as autoridades.

A mulher, de 29 anos, foi imediatamente colocada em isolamento depois de relatar febre na terça-feira, de acordo com o Departamento Estadual de Saúde.

Ela voou a partir da cidade onde vive sua família, em Ohio, para Dallas um dia antes de apresentar sintomas, o que levou autoridades de saúde a tentar fazer contato com todos os 132 passageiros que estavam a bordo, disse o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês).

A enfermeira cuidou do paciente liberiano Thomas Eric Duncan, que morreu de Ebola e foi a primeira pessoa diagnosticada com a doença nos EUA.

Ao menos 4.447 pessoas morreram na África Ocidental no pior surto já registrado do vírus que pode causar febre, hemorragia, vômito e diarreia, e que se espalha por meio do contato com fluídos corporais.

"As autoridades de saúde entrevistaram a mais recente paciente para identificar rapidamente quaisquer contatos ou exposições potenciais, e essas pessoas serão monitoradas", disse o departamento em comunicado.

No fim de semana, a enfermeira Nina Pham, de 26 anos, tornou-se a primeira pessoa a ser infectada pelo Ebola nos Estados Unidos. Ela cuidou de Duncan durante a maior parte dos 11 dias de internação do homem no hospital. Ele morreu numa área de isolamento em 8 de outubro.

O hospital informou na terça-feira que Pham estava "em bom estado".

CRÍTICAS

O segundo caso de infecção de um profissional do hospital de Dallas acontece em meio a críticas de um sindicato nacional de enfermeiras sobre a forma como o local tratou das doença.

Segundo a associação, o hospital não cumpriu protocolar para lidar com o paciente com Ebola, não ofereceu treinamento avançado e não tinha equipamentos suficientes para os profissionais, incluindo o luvas adequadas.

O hospital disse em nota que instituiu medidas para estabelecer um ambiente seguro de trabalho e que estava revendo e respondendo as críticas das enfermeiras.

O prefeito de Dallas, Mike Rawlings, disse em entrevista coletiva que a segunda enfermeira com Ebola morava sozinha e não tinha animal de estimação.

Segundo Rawlings, profissionais de saúde foram mobilizados rapidamente para limpar áreas afetadas envolvendo a enfermeira e para alertar seus vizinhos e amigos. Uma equipe de descontaminação foi enviada à casa dela, segundo autoridades de Dallas.

O CDC disse que a contaminação de mais um profissional de saúde é uma "preocupação grave", e afirmou que tomou medidas para minimizar o risco aos profissionais de atendimento médico e ao paciente".

O diretor do CDC, Thomas Frieden, informou na terça-feira que a agência estava criando uma equipe de resposta rápida para ajudar os hospitais que tiverem casos de Ebola confirmados.

Frieden tem sido criticado pela resposta e preparação dos EUA para o Ebola, mas o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse que o presidente Barack Obama confia na capacidade de Frieden para liderar os esforços públicos de saúde.

A esperança de um fim rápido para o surto de Ebola foi reduzida pela previsão da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que os três países mais afetados -Libéria, Serra Leoa e Guiné, todos na África Ocidental- podem ter até 10.000 novos casos por semana até o início de dezembro.

(Reportagem de Curtis Skinner em San Francisco)

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