Segunda posse de Obama deve ter uma Washington desanimada e menos cheia

É uma daquelas ocasiões que são a quintessência de Washington: a posse de um presidente, um festival de vários dias de patriotismo, política, otimismo e autocongratulações.

SAMUEL P. JACOBS, Reuters

26 de dezembro de 2012 | 20h24

Tudo isso estará à mostra em 21 de janeiro, quando o presidente Barack Obama tomará publicamente posse de seu segundo mandato de quatro anos. Mas essa cerimônia será bem menos grandiosa do que a primeira, em 2009, quando um recorde de 1,8 milhão de visitantes inundou a cidade para ver o primeiro presidente negro assumir o cargo.

Dessa vez a celebração não deve atrair mais do que 800.000 convidados, estimam autoridades municipais. Como resultado, alguns quartos de hotéis de luxo e mesas em restaurantes chiques ainda estão disponíveis a menos de um mês da posse.

O Mandarin Oriental Hotel, com suas vistas envolventes do National Mall, inicialmente exigia que os convidados para a posse fizessem reservas por quatro noites. Agora a exigência é de três noites para tentar encher seus quartos.

Mas a "inflação da posse" ainda se aplica: o quarto menos caro do Mandarin, normalmente disponível a uma diária de 295 dólares, começa a 1.195 dólares durante o longo final de semana da posse.

Mesmo assim, a demanda por reservas em hotel e restaurante para essa posse é fraca em comparação com a procura que se seguiu à primeira eleição de Obama.

Na época, a luta por hospedagem era tão desesperada que residentes e inquilinos de Washington e dos subúrbios de Maryland e Virgínia alugaram suas casas para a posse, criando um amplo mercado secundário em hospedagem naquela semana.

Centenas desses proprietários - inclusive o ex-senador pelo Tennessee e ator Fred Thompson, que ofereceu seu apartamento para aluguel por 30.000 dólares por cinco dias - buscaram lucrar com as festividades e deixar a cidade para evitar a multidão.

Hoje o site Craiglist mostra apenas algumas dezenas de anúncios oferecendo casas para a posse.

"Eles invadiram o mercado da última vez", disse a corretora imobiliária Hill Slowinski, que lida com propriedades de luxo. "Não estamos vendo o mesmo nível de interesse" este ano.

A história é parecida no restaurante Palm, que oferece um filé a 54 dólares e é o favorito entre os influentes democratas. Algumas mesas ainda estão disponíveis para a noite de domingo, dia 20 de janeiro, a véspera da cerimônia.

Examinando as reservas para aquela noite, Tommy Jacomo, que dirige o restaurante há quatro décadas, disse: "É medíocre. Nada fora do comum".

Jacomo disse que para muitos dos simpatizantes de Obama, a cerimônia de posse de 2009 foi histórica e não pode ser superada. "A segunda vez nunca é tão grande", disse.

Esse foi o caso nas cerimônias de posse de segundo mandato recentes, principalmente a do republicano Ronald Reagan em 1985. Graças a um frio brutal, o evento foi na maior parte em um recinto fechado, e Reagan fez o juramento e seu discurso na Rotunda do Capitólio e não em frente ao Capitólio.

Para Obama, a excitação será diminuída pelo fato de que ele vai fazer o juramento oficial perante o juiz da Suprema Corte John Roberts em uma cerimônia fechada no dia anterior às festividades públicas - em 20 de janeiro, como pede a lei.

Porque aquele dia cai em um domingo, os eventos públicos - o juramento em frente ao Capitólio, o discurso de Obama, o desfile pela Pennsylvania Avenue a partir do Capitólio até a Casa Branca, e os bailes da posse - serão realizados um dia depois.

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