Saul Loeb and Ronda Churchill/AFP
Saul Loeb and Ronda Churchill/AFP

Sem comícios e eventos, importância dos debates aumenta nos EUA nas eleições 2020

Serão três: o primeiro no dia 29 de setembro, o segundo em 15 de outubro e o último em 22 de outubro

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2020 | 05h00

A pandemia fez candidatos cancelarem eventos, comícios e outras aparições públicas. Nem sempre por sua vontade, como foi o caso de Donald Trump ao adiar a convenção republicana na Carolina do Norte, em julho e, depois, a festa que seria feita na Flórida para anunciar seu nome em agosto. A verdade é que os estrategistas das campanhas do presidente e de Joe Biden aumentaram suas apostas nos três debates previstos entre os candidatos em 22 de setembro, 15 de outubro e 29 de outubro, a poucos dias da eleição.

Há décadas essa fase é considerada decisiva pelos partidos. Os debates são levados tão a sério que foi criada a Comissão de Debates Presidenciais, em 1987, para organizar os encontros. O mais famoso foi o primeiro transmitido pela TV, em 1960, quando o democrata John Kennedy apareceu cheio de disposição vestido em um terno escuro para massacrar o republicano Richard Nixon, que cometeu o erro de fazer campanha até a última hora e parecia cansado dentro de terno cinza que sumia na imagem em preto e branco.

O embate foi visto por 70 milhões de americanos. Era 26 de setembro. O evento foi transmitido pela CBS. A corrida eleitoral permaneceu apertada. E ficou marcada pela propaganda de Kennedy que perguntava: “Você compraria um carro usado desse homem?” O homem era Nixon.

O democrata venceu a eleição com 49,7% dos votos contra 49,5%, atingindo 303 votos no Colégio Eleitoral ante 219 do republicano. O mapa eleitoral da época mostra outra curiosidade. É como se democratas e seus adversários tivessem mudado de áreas. A maioria dos Estados onde antes os democratas venceram hoje é reduto do Partido Republicano, o Grand Old Party (GOP), e vice-versa.

Na última eleição, o primeiro debate entre a democrata Hillary Clinton e republicano Trump foi acompanhado por 84 milhões de pessoas, segundo a Nielsen. O número superou o recorde anterior, o debate entre o republicano Ronald Reagan e o democrata Jimmy Carter, que buscava a reeleição, em 1980, assistido por 80,6 milhões de pessoas.

Além dos canais de TV aberta e à cabo, os três debates devem ser ainda transmitidos por plataformas da internet, como Youtube, Twitter e Facebook. Há ainda incertezas sobre como serão os debates neste ano em razão da pandemia de covid-19. O primeiro deles está marcado para acontecer na Universidade de Notre Dame, no Estado de Indiana.

O segundo deve acontecer na Universidade de Michigan, que cancelou o evento – que segue na agenda, mas sem local definido. O último será no dia 22 de outubro, na Belmont University, em Nashville, no Tennessee. No meio do caminho, e sem tanta badalação, há um debate entre os candidatos a vice, que este ano será no dia 7 de outubro, na Universidade de Utah, em Salt Lake City.

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