Eric Risberg/AP
Eric Risberg/AP

Sem disputa interna, democratas também montam estrutura em Iowa

Republicanos se preparam para prévias no Estado, mas comissão de Obama também se mobiliza

Reuters

03 de janeiro de 2012 | 17h42

DES MOINES - Enquanto os pré-candidatos republicanos à presidência dos Estados Unidos dominam as manchetes com a sua disputa em Iowa, o Partido Democrata, do presidente Barack Obama, montou discretamente uma enorme estrutura para angariar eleitores e conquistar os votos do Estado na eleição geral de novembro.

Milhares de voluntários democratas se mobilizaram em todo o Estado de Iowa, que foi o trampolim de Obama para a vitória há quatro anos. Iowa é considerado um Estado estratégico, que pode oscilar para um ou outro partido e os pré-candidatos republicanos têm cortejado os eleitores lá por meses, se não por anos, gerando uma cobertura da mídia e atenção do público para sua causa.

O exército obamista trabalha para contrabalançar essa cobertura midiática montando uma estrutura discreta destinada a levar eleitores para as seções eleitorais em novembro - nos EUA, o voto não é obrigatório, e o comparecimento dos eleitores às urnas pode ser decisivo.

A campanha de Obama à reeleição já abriu oito comitês em Iowa e fez mais de 350 mil telefonemas a simpatizantes, segundo funcionários. "A partir de quarta-feira de manhã, não importa quem vença a corrida republicana, teremos a melhor organização", disse o deputado estadual Tyler Olson, de 35 anos, que participa da campanha obamista. "E vamos continuar a construí-la, ao passo que os republicanos circulam pelo país e continuam travando uma batalha."

Parte da estratégia democrata é levar seus eleitores para os seus caucus (eleição primária) na terça-feira. O candidato do partido -Obama- já está escolhido, mas a campanha espera que os simpatizantes apareçam mesmo assim, para sinalizar seu apoio e organização.

"Obviamente, as atenções estão no lado republicano, e as pessoas para quem liguei hoje nem sequer sabiam que os democratas teriam um caucus", disse a securitária aposentada Leni Stastny, de 63 anos, voluntária em um call center na cidade de Cedar Rapids.

"Consegui algumas pessoas (nos telefonemas) que vão. E algumas pessoas bateram o telefone na minha cara. E algumas pessoas não queriam nada com isso. E algumas pessoas estavam realmente loucas da vida com Obama por causa da (reforma da) saúde pública."

Os republicanos dizem que, mesmo sem a organização dos democratas, vão tentar explorar o descontentamento entre pessoas que votaram em Obama há quatro anos. "A equipe do presidente está se gabando da sua organização em Iowa, mas a realidade é que Obama vai precisar dela", afirmou Kirsten Kukowski, porta-voz do Comitê Nacional Republicano. "Iowa hoje é completamente diferente do Estado que o lançou à Presidência quatro anos atrás."

Mas os obamistas trabalham para mostrar que não é bem assim. No call center de Cedar Rapids, voluntários -de adolescentes a idosos- usam celulares para contatar longas listas de democratas nos seus bairros. Cartazes da campanha de Obama decoram paredes e janelas, e uma grande estátua de um burro -símbolo democrata- saúda os visitantes. "Na essência, a organização de Obama nunca foi embora", disse Peggy Whitworth, de 69 anos. "Houve essa coisa de continuar conectado com pessoas que se envolveram pela primeira vez."

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