Semana termina sem votação do pacote nos EUA

A maior quebra bancária na história dos EUA e uma corrosão acentuada no valor das ações de bancos aumentaram na sexta-feira a pressão para que o Congresso norte-americano aprove rapidamente o pacote de 700 bilhões de dólares em ajuda para o sistema financeiro. Após dias de frustradas negociações entre políticos, o presidente George W. Bush disse estar otimista em que o Congresso e a Casa Branca se unam em torno da proposta. Enquanto parlamentares democratas e republicanos se digladiam, o secretário do Tesouro, Henry Paulson, enfurnou-se em negociações no Capitólio, e a turbulência financeira global se agravou. As Bolsas dos EUA fecharam em alta pela expectativa de que o pacote fosse aprovado antes da reabertura do pregão na segunda-feira. Logo após o fechamento dos mercados, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, prometeu que o Congresso trabalharia no fim de semana e que havia progressos sendo feitos. "Os mercados precisam de uma mensagem nossa de que entendemos que a hora é importante", disse Pelosi a jornalistas. Pouco antes do fechamento das Bolsas, o jornal The New York Times informou que o Wachovia Corp., sexto maior banco dos EUA, está em negociações preliminares com o Citigroup. As ações do banco chegaram a despencar 36 por cento na sexta-feira e acabaram fechando com queda de 27 por cento diante da notícia do possível acordo. Uma reportagem subseqüente disse que vários outros bancos cogitam adquirir o Wachovia. Os papéis do National City Corp., que opera no Meio-Oeste dos EUA, tiveram perda de 29 por cento, e o Downey Financial Corp., da Califórnia, perdeu 48 por cento, em meio a uma onda de inadimplência e calotes que levou à maior crise financeira global desde a Grande Depressão. Na noite de quinta-feira, autoridades financeiras dos EUA confiscaram os depósitos e empréstimos do Washington Mutual Inc, na maior quebra bancária da história dos EUA, e venderam seu patrimônio para o JPMorgan Chase & Co. Bancos de todo o mundo estão acumulando dinheiro e relutando em emprestar, o que fez com que os juros interbancários atingissem seu valor recorde em Londres. "O que vocês vão ver é que os fortes vão ficar mais fortes, e os fracos vão morrer", disse William Smith, presidente da Smith Asset Management. A liquidez global secou, obrigando Bancos Centrais de todo o mundo a injetarem recursos nos mercados. Sem alívio à vista, os investidores recorreram à segurança do dinheiro vivo e dos títulos do governo norte-americano. A opinião de muitos especialistas é a de que o Congresso precisa aprovar o acordo antes que o pregão abra na segunda-feira, ou do contrário haverá um desastre nos mercados. "Wall Street está apostando num acordo definitivo quando os mercados abrirem na segunda-feira", disse Fred Dickson, diretor de pesquisa de varejo da D.A. Davidson & Co, de Lake Oswego, Oregon. "O plano é crucial para manter a economia à tona." Pelosi buscou tranqüilizar os mercados, dizendo que as negociações correm bem. "Não vamos embora até que seja aprovada uma legislação que seja assinada pelo presidente."

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