'Sempre levei em conta os interesses dos EUA', afirma Bush

Em discurso de despedida, presidente defende anos no poder e afirma que o país agora é "um lugar mais seguro"

Agências internacionais,

16 de janeiro de 2009 | 07h39

Impopular, mas insistente, o presidente George W. Bush defendeu seu tumultuado governo de dois mandatos no discurso de despedida aos americanos na noite de quinta-feira, 15, cinco dias antes de seu sucessor, Barack Obama, tomar posse. Bush ressaltou uma série de sucessos em casa e no exterior e, ao voltar no tema do 11/09, destacou que o país passou "mais de sete anos sem ataques terroristas" em solo americano. "Nossa principal ameaça continua sendo outro atentado", afirmou o mandatário. O presidente afirmou que, assim como predecessores, enfrentou "revézes", e que "há coisas que faria diferente se tivesse chance". Mas que sempre agiu "tendo em mente o interesse do país". "Segui minha consciência e fiz o que achei ser o certo", afirmou. Deixando o cargo com as menores taxas de aprovação popular da história americana desde Richard Nixon, com cerca de 25%, Bush afirmou: "vocês podem não concordar com algumas decisões difíceis que tomei, mas espero que concordem que tive que tomar decisões difíceis". Em oito anos marcados pelo terrorismo, duas guerras e a recessão, o discurso foi a última chance de Bush defender seu legado na história. Bush ainda afirmou que a posse de Obama, o primeiro presidente negro dos EUA, é um momento de "esperança e orgulho" para a América. Bush desejou sucesso a Obama, "um homem cuja história reflete a promessa duradoura de nossa terra". Os EUA, concluiu o governante em fim de mandato, "devem manter sua clareza moral". "Deixamos o mundo mais livre e mais seguro", afirmou, recomendando à futura administração de Barack Obama que "não baixe a guarda na luta contra o terrorismo". "Nossos inimigos são pacientes e estão decididos a atacar de novo", afirmou. "Nosso país está equipado com novas ferramentas para supervisionar os movimentos terroristas, congelar seu financiamento e destruir suas tramas". "Com firmes aliados ao nosso lado, levamos a luta ao território dos terroristas e daqueles que os apoiam". O presidente em fim de mandato fez ainda uma menção especial sobre as intervenções realizadas no Afeganistão e no Iraque. "O Afeganistão passou de uma nação onde o Taleban abrigava a (rede extremista) Al-Qaeda e apedrejava mulheres nas ruas para uma jovem democracia que está combatendo o terror e encorajando meninas a irem à escola"; "o Iraque foi de uma ditadura brutal e inimigo declarado dos Estados Unidos para uma democracia árabe no coração do Oriente Médio e um amigo dos Estados Unidos."  O presidente disse que o país ficou "mais seguro" depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 em território americano. "Com o passar dos anos, a maioria dos americanos pode voltar à vida que tinha antes de 11 de setembro, mas eu nunca pude", afirmou o presidente, segundo a BBC. "Todas as manhãs eu recebia um resumo das ameaças à nossa nação. Eu prometi fazer tudo ao meu alcance para nos manter a salvo". Bush citou medidas na área de segurança que adotou em seus dois mandatos como presidente, como a criação do Departamento de Segurança Interna, a introdução de "novas ferramentas" para vigiar "terroristas", e as invasões de Afeganistão e Iraque. Segundo ele, "há um debate legítimo sobre muitas destas decisões, mas pode haver pouca discussão sobre os resultados".  Crise financeira A crise econômica, que se transformou na principal preocupação dos americanos, pouco foi mencionada. Bush pediu união aos americanos para enfrentar a crise econômica. "Todos os americanos estão nisso juntos, e unidos, com trabalho duro e determinação, nós vamos recolocar nossa economia no caminho do crescimento", afirmou. "Nós vamos mostrar ao mundo mais uma vez a resistência do sistema de livre empresa dos Estados Unidos." Bush disse que seu governo enfrentou a perspectiva de um colapso financeiro e agiu de forma decisiva para superar isso. "É uma época muito dura para famílias trabalhadoras. Mas o custo teria sido muito maior se não tivéssemos agido", afirmou, numa referência ao pacote de resgate de instituições financeiras e outras medidas econômicas adotadas nos últimos meses.

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