Senado contraria Obama e barra lei de controle de armas

O Senado dos Estados Unidos rejeitou nesta quarta-feira uma proposta bipartidária que ampliaria as verificações de antecedentes para compradores de armas de fogo, num duro golpe para os esforços de controle armamentista do presidente norte-americano, Barack Obama.

JOHN WHITESIDES E DAVID LAWDER, Reuters

17 de abril de 2013 | 20h48

O debate sobre o controle de armas ganhou força no país depois de um massacre que resultou na morte de 20 crianças em uma escola primária de Connecticut em dezembro. Apesar dos emotivos apelos de parentes das vítimas, o projeto foi derrubado por 54 x 46 votos.

Atualmente, quem compra armas de fogo pela internet ou em feiras de armas está dispensado das verificações de antecedentes, uma situação que a Casa Branca gostaria de alterar.

Irritado, Obama disse que "este é um dia bastante vergonhoso para Washington", mas que seu esforço "não acabou".

Sob o olhar de Obama na Casa Branca, Mark Barden, pai de uma criança morta em Connecticut, disse que "nossos corações estão quebrados; nosso espírito, não".

"Sempre soubemos que seria uma longa estrada. Não podemos nos dar ao luxo de recuar", disse.

Outras medidas apoiadas por Obama, incluindo a proposta para banir armas de assalto, como a usada no massacre de Connecticut, também foram rejeitadas numa série de votações do Senado, refletindo a grande influência política dos defensores da posse de armas e da Associação Nacional do Rifle.

"Acabou tendo a ver com a política", disse Obama, acrescentando que muitos senadores ficaram com medo de serem punidos nas urnas por proprietários de armas.

As votações marcaram o ápice de várias semanas de intensas negociações e lobbies a respeito das restrições propostas por Obama. A derrota na emenda sobre as verificações de antecedentes podem prenunciar o fracasso do maior pacote legislativo sobre a posse de armas a ser submetido ao Congresso nas últimas duas décadas.

"Que vergonha!", gritou um espectador nas galerias, quando o vice-presidente Joe Biden, presidindo a sessão do Senado, anunciou o resultado.

Passada a comoção provocada pelo massacre, o ímpeto político pela adoção das medidas restritivas acabou. Oponentes diziam que a proposta dava poderes abusivos ao governo e infringiria o direito constitucional à posse de armas.

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