Senado dos EUA irá virar a noite pelo fim da guerra

Sessão atravessará a noite para pressionar o presidente George W. Bush a aceitar um plano para retirada

Thomas Ferraro e Richard Cowan, REUTERS

17 Julho 2007 | 15h38

Munidos de colchonetes, travesseiros e do apelo por uma mudança, o Senado norte-americano, liderado pelos democratas, deu início nesta terça-feira, 17, a uma rara sessão que atravessará a noite para pressionar o presidente George W. Bush e os republicanos a encerrar a guerra no Iraque.Ainda assim, os republicanos pareciam convictos de que conseguiriam bloquear o plano dos democratas, que conta com o apoio da maioria do Senado e que pretende retirar todas as tropas norte-americanas de combate do Iraque até abril de 2008."Não é grande sacrifício para o Senado passar uma noite em claro", disse o líder democrata assistente do Senado, Dick Durbin, na abertura dos debates. "Os soldados e as famílias que rezam por eles passam muitas noites em claro."Os republicanos acusam os democratas de estarem interessados apenas no efeito do golpe. Camas improvisadas foram montadas numa sala perto do Senado, disse um assessor. Também foram providenciados travesseiros, lanches e escovas de dente.Os democratas detêm 51 das 100 cadeiras do Senado, mas não conseguiram ainda obter os 60 votos necessários para abrir caminho para a votação da medida proposta pelo democrata Carl Levin, presidente da Comissão de Serviços Armados do Senado.Pela proposta, um número não-especificado de soldados norte-americanos ficaria no Iraque, depois da retirada, fora de combate, apenas para ajudar a treinar as tropas iraquianas, conduzir missões de contraterrorismo e proteger os diplomatas dos EUA.A votação para encerrar os debates e passar à aprovação da medida está marcada para pouco antes do meio-dia (13h pelo horário de Brasília) de quarta-feira, 18.A Casa Branca vem pedindo aos senadores que esperem até meados de setembro, quando o Pentágono fará um levantamento para o Congresso da situação no Iraque, com os resultados do envio de 30 mil soldados extras, determinado pelo presidente Bush no começo do ano.A noite em claro no Senado deve contar com uma sucessão de discursos, além de uma vigília noturna na rua, promovida por grupos pacifistas."Não temos problema nenhum em passar a noite aqui", disse o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, que apoiou o reforço de contingente ordenado por Bush, que também é republicano. "É a questão que interessa no país nesta conjuntura específica."Para o senador republicano John McCain, pré-candidato à Presidência, "uma saída precipitada dos soldados dos EUA levaria a uma carnificina".A senadora Olympia Snowe, porém, republicana que apóia a retirada das tropas, afirmou: "Estamos na encruzilhada entre a esperança e a realidade. Chegou a hora de pensar na realidade."(Reportagem adicional de Jeremy Pelofsky)

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