Senador Ted Kennedy morre de câncer aos 77 anos

Doença põe fim a trajetória do 'último Kennedy', que conheceu triunfo e tragédia no centro da política dos EUA

26 de agosto de 2009 | 02h37

   

   Times elegeu Kennedy 'um dos 10 maiores senadores dos EUA'. Foto: AP

 

MASSACHUSETTS - O senador Edward M. Kennedy, o último sobrevivente dos irmãos da dinastia política e um dos mais influentes democratas da história americana, morreu aos 77 anos na noite de terça-feira, 25, em sua casa depois de uma luta contra o câncer cerebral.

 

Veja também:

link Morte de Ted Kennedy deixa vazio na política americana 

link Obama: Morte de Kennedy encerra capítulo da história dos EUA

link Republicanos e democratas lamentam morte de Kennedy

lista Perfil: Câncer põe fim a trajetória do 'último Kennedy'

lista Conheça os membros da Dinastia Kennedy

mais imagens Fotos: Veja as principais imagens de Ted Kennedy

video Vídeo: Assista no YouTube o histórico discurso na convenção democrata em 2008

especial Especial: Cronologia da vida do senador democrata

lista Quatro momentos na vida de Ted Kennedy

 

Em cerca de 50 anos no Senado, Ted serviu 10 presidentes, incluindo seu irmão John Fitzgerald Kennedy, assassinado em 1963, e do senador Robert Kennedy, morto por um tiro enquanto disputava a nomeação para a presidência na eleição de 1968. Em sua carreira política de quase meio século, Ted Kennedy foi uma voz dominante nas discussões sobre saúde pública, direitos civis, guerra e paz, entre outros assuntos. Para o público dos EUA, porém, ele ficou mais conhecido como o último sobrevivente de uma família de políticos progressistas.

 

"Edward M. Kennedy, o marido, pai, avô, irmão e tio que nós amávamos tão profundamente, morreu tarde da noite na terça-feira, em casa, em Hyannis Port (Massachusetts)", informou a família Kennedy em comunicado nesta quarta-feira. Um dos senadores mais influentes e há mais tempo no Congresso na história dos EUA - um porta-bandeira liberal que também era conhecido como um negociador político perfeito - Kennedy lutava contra um câncer no cérebro, que foi diagnosticado em maio de 2008.

 

Um funcionário do governo confirmou que Ted será enterrado no cemitério nacional de Arlington, próximo dos irmãos. Somente dois presidentes norte-americanos estão enterrados em Arlington: Kennedy e William Howard Taft, que faleceu em 1930. O funeral será no sábado.

 

Sua morte marca o crepúsculo de uma dinastia política e representa um baque para os democratas, que tentam responder ao pedido do presidente Barack Obama por uma grande reforma no sistema de saúde dos EUA. Kennedy era um dos principais defensores da reforma da saúde, uma das marcas do governo Obama. O presidente disse nesta quarta-feira que estava de coração partido com a notícia da morte de Kennedy, que foi fundamental para sua vitoriosa campanha presidencial.

 

"Eu estimava seu conselho sábio no Senado, onde, independente do turbilhão de eventos, ele sempre tinha tempo para um novo colega. Eu lembro de seu apoio e confiança em minha disputa presidencial. E mesmo enquanto ele lidava com uma doença mortal, eu tirei proveito como presidente de sua sabedoria e coragem", disse Obama, que foi eleito em novembro do ano passado e tomou posso em janeiro.

 

Como outros membros da família Kennedy, a vida do senador Ted Kennedy também foi marcada por glórias e tragédias. Para analistas, ele sintetizou a mistura de virtudes e vícios políticos que definiram a mais proeminente dinastia política dos Estados Unidos. O assassinato de seus dois irmãos John e Robert Kennedy - o primeiro em 1963, dois anos após assumir a presidência dos Estados Unidos, e o segundo em 1968, quando disputava a nomeação do partido Democrata - colocou sobre os ombros do caçula Edward a expectativa de um dia chegar ao posto mais alto da nação. Expectativas que ele nunca chegou a cumprir, suas ambições políticas reduzidas pelo escândalo da morte de uma ex-secretária em um acidente com o carro que ele dirigia em 1969.

 

Dos nove descendentes de Joseph e Rose Kennedy, está viva apenas uma filha, Jean Kennedy Smith, que foi embaixadora na Irlanda sob a Presidência de Bill Clinton. Há duas semanas, em 12 de agosto, morreu outra das irmãs, Eunice Kennedy Shriver.

 

O senador recebeu o diagnóstico de câncer cerebral em maio do ano passado, do qual foi operado, mas não foi possível retirar o tumor totalmente. No entanto, o filho de Ted Kennedy, o congressista Patrick Kennedy, havia reconhecido recentemente que o senador superou as expectativas dadas pelos médicos.

 

Apesar da delicada situação, Edward Kennedy fez uma surpreendente aparição na Convenção do Partido Democrata em Denver, há um ano, aonde foi apoiar a então candidatura presidencial de Barack Obama. Com um discurso emocionado, lúcido e brilhante, Kennedy prometeu naquela ocasião estar presente quando Obama tomasse posse na Casa Branca, e assim fez, participando dos atos de posse, onde sofreu um ligeiro desmaio. Depois, Ted Kennedy foi à Casa Branca em abril, quando Barack Obama assinou uma lei com o nome do senador, um ferrenho defensor da igualdade.

 

Vaga no Senado

 

A morte do senador por Massachusetts Ted Kennedy não é apenas uma perda pessoal para a maioria de seus colegas no Senado. O fato também retira do Partido Democrata um voto crucial, no momento em que a sigla tenta aprovar importantes leis nos próximos meses, incluindo a reforma no sistema de saúde.

 

Antes de morrer, Kennedy escreveu uma carta para os líderes políticos de Massachusetts, pedindo a eles que mudassem as regras para sucessão, a fim de não manter o cargo vago até a realização de eleições especiais, no início do ano que vem. A lei de Massachusetts permitia que o governador apontasse um sucessor. Os democratas, porém, mudaram a legislação em 2004, por causa do temor de que o governador republicano Mitt Romney não apontasse um democrata, caso o senador democrata John Kerry chegasse à presidência.

 

Em seu pedido, Kennedy pediu a líderes estaduais que deem ao governador democrata Deval Patrick a autoridade para apontar um substituto temporário até a eleição. No início, a iniciativa não teve uma recepção entusiasmada, e nenhum dos parlamentares mais importantes do Estado apoiou o plano publicamente. Na terça-feira, contudo, a senadora Therese Murray sinalizou a um repórter do Boston Globe que agora estava aberta ao pedido.

 

"Ela está ouvindo os membros e mantendo uma mente aberta", disse na terça-feira o senador por Massachusetts Robert A. O'Leary. "Eu estou completamente comprometido com isso e ela entende e está confortável com isso". Não está claro se algum político de Massachusetts aceitaria a nomeação temporária, caso os parlamentares estaduais alterem a regra para a sucessão. Não faltam, porém, candidatos para disputar uma eleição especial.

 

Os deputados democratas por Massachusetts Mike Capuano, Steve Lynch e Ed Markey são considerados candidatos potenciais, bem como o ex-deputado Marty Meehan, que deixou o posto para tornar-se reitor da Universidade de Massachusetts, Lowell. O ex-deputado Joe Kennedy, filho do ex-senador Robert F. Kennedy, também já foi apontado como potencial candidato.

 

Em uma entrevista a uma emissora local de Massachusetts, na manhã desta quarta-feira, Capuano sinalizou que apoiava o pedido de Ted Kennedy por um senador temporário até as eleições. "Seria um verdadeiro tapa na cara do país se o único motivo para não aprovarmos a lei do sistema de saúde fosse um posto vago", disse ele.

 

Texto atualizado às 12h36.

Tudo o que sabemos sobre:
Ted Kennedy

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.