Setor turístico pede abrandamento de vistos para os EUA

O complicado sistema de vistos para entrar nos Estados Unidos prejudica o turismo e deve ser reformado se o país quiser atrair mais turistas de lugares como China, Índia e Brasil, disseram dirigentes do setor na quinta-feira.

DEBORAH CHARLES, REUTERS

12 de maio de 2011 | 18h32

A Associação de Viagens dos Estados Unidos (USTA) anunciou um plano para ajudar na reforma do processamento dos vistos, e disse que isso poderia gerar 1,3 milhão de empregos no país e agregar 859 bilhões de dólares à economia nacional até 2020.

"O desafio que temos é o sistema de vistos pesado e desnecessário dos EUA", disse o presidente da USTA, Roger Dow. "São realmente barreiras autoimpostas ... que nos fazem perder viagens internacionais e que impedem o crescimento (do número de visitantes) internacionais."

Viajantes se queixam da demora na obtenção de vistos e, em alguns países, da falta de acesso aos escritórios consulares norte-americanos. Há quem precise atravessar o seu próprio país só para fazer uma entrevista de visto.

Dados divulgados pela USTA mostram que o turismo é o maior setor exportador dos EUA, mas que o país não consegue acompanhar o ritmo de outras partes do mundo -- como a Europa Ocidental -- como destino turístico na última década.

Examinando especificamente economias emergentes como as de China, Índia e Brasil, as viagens globais de longa distância cresceram 140 por cento de 2000 a 2010, e devem novamente dobrar ao longo da próxima década.

Mas só uma fração dessas viagens, que resultam em bilhões de dólares em receita, se destina aos Estados Unidos.

Em 2010, mais da metade dos brasileiros que viajam ao exterior foram para a Europa, enquanto 29 por cento foram para os Estados Unidos. No caso dos chineses, a preferência pela Europa é quase o triplo em relação aos EUA.

Segundo pesquisas feitas em 2010 e citadas pela associação, as dificuldades com vistos e as rígidas medidas de segurança estão entre as principais razões que levam os visitantes a evitarem os EUA.

A tramitação de um visto para os EUA pode durar até 145 dias no Brasil e 120 dias na China, segundo um relatório da USTA. Já a Grã-Bretanha, por exemplo, leva em média 12 dias para tramitar um visto no Brasil, e 11 na China.

Embora os EUA seja o país mais frequentemente citado como "destino dos sonhos" pelos turistas chineses, a França, com um sistema de vistos muito mais agilizado, recebeu 18 por cento mais visitantes chineses no ano passado, disse o relatório.

"Essas são algumas das economias que mais crescem no mundo", disse Dow. "Não deveríamos estar recebendo essas pessoas nos Estados Unidos?"

A senadora Amy Klobuchar, democrata que preside uma subcomissão voltada para a competitividade e promoção das exportações, disse que o setor turístico seria importante para a meta do presidente norte-americano, Barack Obama, de duplicar as exportações norte-americanas até 2014.

"Vemos isso como parte da nossa recuperação econômica. Vejo isso como uma maneira de gerar empregos em nosso país", disse Klobuchar.

"Desde o 11 de Setembro, perdemos 20 por cento do mercado turístico internacional... Obviamente, depois do 11 de Setembro houve mudanças que tiveram de ser feitas nas nossas medidas de segurança. Agora precisamos ver como podemos tornar isso mais eficiente, ainda mantendo a segurança em vigor."

O relatório da USTA recomenda que os EUA contratem mais agentes consulares e reduzam a espera pelas entrevistas para até dez dias. Propõe também ampliar o número de países no programa de isenção do visto, que atualmente beneficia cidadãos de 36 nações, autorizados a passar até 90 dias nos EUA sem visto.

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