Soldado dos EUA recebe pena de 24 anos por matar afegãos

O primeiro de cinco soldados norte-americanos acusados de matar civis afegãos desarmados no ano passado foi condenado a 24 anos de prisão após se declarar culpado de três acusações de homicídio premeditado.

LAURA L. MYERS, REUTERS

24 de março de 2011 | 10h56

A declaração de culpa e a condenação do especialista do Exército Jeremy Morlock, de 23 anos, natural de Wasilla, no Alasca, marcou uma guinada na mais séria investigação de supostas atrocidades de militares dos EUA durante 10 anos de guerra no Afeganistão.

Questionado pelo juiz, Morlock relatou seu papel nas mortes de três moradores desarmados de um vilarejo afegão, cujos assassinatos por disparos de granada e fuzil foram alterados para parecer baixas de combate legítimas.

"Sei que o que fiz foi errado, senhor", disse ele, na quarta-feira, acrescentando que, ao contrário do que sugeriram seus advogados, seu julgamento não foi afetado por drogas. Ele admitiu fumar haxixe três ou quatro vezes por semana durante seu destacamento no Afeganistão.

A revista alemã Der Spiegel desta semana publicou várias fotos relacionadas às mortes, uma mostrando Morlock agachado e sorrindo sobre um cadáver ensanguentado enquanto ergue a cabeça do homem pelos cabelos para a câmera.

A existência de tais fotos, entre dúzias apreendidas como prova pelos investigadores e vetadas para consulta pública pelo Exército, motivou comparações com as imagens de prisioneiros iraquianos detidos por militares norte-americanos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, e tornadas públicas em 2004.

O juiz que presidiu o caso, o tenente-coronel Kwasi Hawks, aceitou o acordo pela declaração de culpa de Morlock feito com o promotores ao final de um dia inteiro de procedimentos na Base Conjunta Lewis-McChord, perto de Tacoma, e deu a Morlock uma pena de prisão de 24 anos.

O juiz também determinou que o encarceramento de Morlock será reduzido em quase um ano pelo tempo já decorrido. Ele poderá requerer condicional em cerca de sete anos.

Morlock, que receberá uma dispensa desonrosa do exército, encarou o juiz e não demonstrou emoção ao ouvir a sentença.

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