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Sonia Sotomayor defende-se de afirmação sobre 'latina sábia'

Acusada de preconceito, juíza indicada por Obama para o Supremo diz que palavras foram mal escolhidas

14 de julho de 2009 | 12h17

Sonia Sotomayor, a primeira hispânica indicada para ser juíza da Suprema Corte dos EUA, defendeu-se nesta terça-feira, 14, sobre os questionamentos de que seus discursos e afirmações mostravam preconceitos raciais. Ela falou pela primeira vez sobre uma de uma de suas declarações mais controversas, afirmando que uma "latina sábia" tomaria decisões melhores que um homem branco. Segundo a juíza, que é sabatinada no segundo dia da audiência de confirmação no Congresso, a palavra usada durante um palestra foi mal escolhida.

 

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O presidente do Comitê Judicial, o democrata Patrick Leahy, deu a oportunidade para que Sonia comentasse as críticas sobre a afirmação de 2002, quando ela disse para uma plateira de estudantes de direito hispânicos que "uma mulher latina sábia, com a riqueza de suas experiências, chega a conclusões melhores do que um homem que não teve essa vida". A juíza disse que não queria deixar a menor dúvida de que não acredita que qualquer grupo étnico, racial ou gênero tenha alguma vantagem num julgamento saudável. "Acredito que qualquer pessoa tem oportunidades iguais de ser um juiz bom e sábio, sem levar em consideração seu passado ou experiência de vida".

 

"Nenhuma das palavras que já falei ou escrevi tiveram tanta atenção como essas", afirmou Sonia sobre a afirmação. "Estava tentando inspirá-los para que acreditassem que sua experiência de vida poderia enriquecer o sistema legal". "Não acredito que exista uma disputa na nossa sociedade". Questionada pelo senador Jeff Sessions, Sonia disse ainda que a expressão foi mal usada numa tentativa de expressar opinião semelhante à da ex-juíza da Suprema Corte Sandra Day O’Connor, a primeira mulher no cargo, de que "homens e mulheres são igualmente capazes de serem sábios e fazerem julgamentos justos". "Tentei brincar com as palavras dela", afirmou Sonia. "Minha brincadeira não deu certo, foi ruim".

 

A juíza reafirmou que suas posturas pessoais não impediram que suas decisões fossem imparciais. "Meu histórico mostra que, em momento algum, deixei que minhas posições pessoais ou simpáticas influenciassem no resultado de um caso", afirmou Sonia, que recebeu críticas de republicados sobre sua imparcialidade. "Acredito que as experiências de vida são importantes para o processo de julgar, ajudam a entender e a escutar, mas a lei requer um resultado e te obriga a referir-se aos fatos, que são relevantes para o caso".

 

Sonia ainda falou sobre uma de suas sentenças mais polêmicas, quando 17 bombeiros brancos processaram a cidade de New Haven depois de o município ter anulado um concurso público porque nenhum bombeiro negro tinha conseguido se classificar. Sonia deu ganho de causa à cidade, dizendo que não houve discriminação contra os brancos. A Suprema Corte reverteu a decisão no mês passado. Segundo ela, a decisão foi baseada nos "precedentes" e definia se era adequado ou não determinar cotas de empregos para negros.

 

Sonia ainda tentou garantir aos senadores que não adotará "noções preconcebidas" sobre o direito ao porte de armas, afirmando que um de seus afilhados é membro da Associação Nacional de Portadores de Armas.

 

Filha de porto-riquenhos, Sonia cresceu em um conjunto habitacional para pobres, no Bronx, foi diagnosticada com diabetes aos 8 anos e perdeu o pai aos 9. Sua mãe lutou para que Sonia e o irmão fizessem faculdade. Apesar das críticas, os republicanos não têm a ilusão de que vão bloquear a indicação. Os democratas têm os 60 votos (58, mais dois independentes) necessários para evitar a obstrução dos republicanos.

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