Suíça detém ex-banqueiro por entregar dados ao WikiLeaks

A polícia da Suíça prendeu na quarta-feira o ex-banqueiro Rudolf Elmer devido às novas acusações de ter violado a lei de sigilo bancário do país ao entregar dados ao WikiLeaks.

EMMA THOMASSON E ANDREW THOM, REUTERS

19 de janeiro de 2011 | 22h04

Elmer foi detido no início da noite pela polícia, apenas horas depois de ter sido considerado culpado por violar o sigilo bancário ao publicar dados particulares de clientes e de ameaçar um funcionário no banco onde trabalhava, o Julius Baer.

"A Procuradoria Geral do Estado está fazendo uma verificação para ver se Rudolf Elmer violou a lei bancária suíça ao entregar um CD ao Wikileaks", disseram a polícia de Zurique e a procuradoria em comunicado conjunto.

Na segunda-feira, em entrevista coletiva em Londres, Elmer entregou dados de centenas de donos estrangeiros de contas bancárias ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, dizendo que queria chamar a atenção para os abusos financeiros.

O WikiLeaks enfureceu as autoridades dos Estados Unidos por divulgar centenas de documentos confidenciais do Departamento de Estado.

MULTA SUSPENSA

O tribunal havia sentenciado Elmer a uma pena de 7.200 francos (7.505 dólares), com sursis de dois anos. A promotoria pedia pena de oito meses de prisão e multa de 2.000 francos. As razões do sursis (suspensão da pena) constarão na sentença por escrito.

A decisão da quarta-feira não se refere ao WikiLeaks e a defesa decidirá se apresentará apelação em 10 dias.

O juiz Sebastian Aeppli absolveu Rudolf Elmer das acusações de que teria solicitado 50 mil dólares para devolver dados dos clientes ao banco Julius Baer, do qual foi demitido em 2002, e de que teria feito ameaças de explodir uma bomba na sede da instituição.

Elmer, que há três anos usou o então pouco conhecido WikiLeaks para publicar dados de clientes, admitiu que havia enviado informações do banco às autoridades fiscais.

No entanto, negou ter chantageado ou feito ameaças de bomba à instituição. Afirmou também que nunca recebeu dinheiro em troca dos dados secretos.

"Sou um crítico do sistema e quero dizer à sociedade o que acontece nesses oásis lamacentos", disse ele, quem esteve a cargo da filial nas ilhas Cayman do banco suíço até 2002, quando deixou a instituição.

Elmer disse que o Baer moveu uma campanha de "terror psicológico" contra ele e sua família, e lhe ofereceu 500 mil francos suíços por seu silêncio. Ele disse que nunca aceitou pagamentos em troca dos dados secretos.

Admitiu, no entanto, ter escrito emails anônimos em 2005, ameaçando enviar detalhes sobre clientes bancários às autoridades e à imprensa se o Baer não deixasse de cometer certas ações -- não especificadas -- contra seus funcionários.

"A situação era muito ameaçadora. Estávamos muito assustados e achei que o banco estava por trás disso. Por isso enviei os emails", disse ao tribunal.

Elmer também admitiu que enviou detalhes de clientes a autoridades tributárias suíças, mas negou ter feito ameaças a antigos amigos.

O Julius Baer, que negou que sua filial nas ilhas Cayman era usada para sonegar impostos, acusou Elmer de fazer uma "campanha pessoal de intimidação e vingança" contra o banco, logo que a instituição negou suas exigências de compensação econômica depois de sua demissão em 2002.

(Reportagem adicional de Martin de Sa'Pinto)

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