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Suposto raptor de Jaycee diz que 'mudou' após ser pai

Garrido, acusado de prender jovem por 18 anos e ter 2 filhos com ela, fala com TV local por telefone

BBC Brasil, BBC

28 de agosto de 2009 | 07h18

 O homem suspeito de ter raptado e mantido em cativeiro Jaycee Lee Dugard, Phillip Garrido, disse em entrevista a um canal de TV da Califórnia que não admitiu o sequestro e que o nascimento de sua primeira filha há 15 anos mudou sua vida. Ele está detido no presídio do condado de El Dorado enquanto aguarda investigações sobre o sequestro de Jaycee em 1991, quando ela tinha 11 anos, e sobre os supostos abusos sexuais que levaram a menina a dar à luz duas filhas em 18 anos de cativeiro - uma de 15 anos e outra de 11.

 

A moça, hoje com 29 anos, foi encontrada graças a uma denúncia feita ao agente que fiscalizava a prisão condicional do estuprador, o que levou a uma ação de busca e apreensão na casa dele, perto da localidade de Antioch, cerca de 160 quilômetros ao sul do local do sequestro. A polícia disse ter encontrado no local um "quintal dentro de um quintal", onde Jaycee vivia com os dois filhos, confinados em uma série de barracões e barracas. "Ela estava com boa saúde, mas viver em um quintal por 18 anos deve ter seu preço", disse o xerife-adjunto Fred Collar em entrevista coletiva.

 

Em entrevista por telefone concedida à emissora de TV KCRA, Garrido, de 58 anos, disse que sua vida "endireitou" e implorou para que as pessoas esperem até ouvir sua versão sobre o ocorrido. "Se eu contar para você a estória do que aconteceu nesta casa, você vai ficar absolutamente impressionado", disse ele. "É uma coisa nojenta o que aconteceu comigo no começo. Mas eu mudei a minha vida completamente e, para poder entender isso, você tem que começar aqui". Garrido disse ainda que deixou documentos importantes com um agente do escritório do FBI (polícia federal americana) na cidade de São Francisco.

De acordo com a KCRA, Garrido tinha uma empresa chamada Desejo de Deus, operada de sua casa, em Antioch, na Califórnia. Na entrevista, ele se referiu a ela como uma igreja. "O que me manteve ocupado por vários anos ultimamente é que eu mudei minha vida completamente", disse ele à emissora de TV americana. "E você vai ouvir a estória mais forte da testemunha, a vítima - pode esperar. Se você caminhar um passo de cada vez, você vai cair de costas e, no final, você vai ouvir uma estória muito forte e terna."

A KCRA diz que pessoas que conheceram Garrido disseram que ele abraçou a religião com fanatismo nos últimos anos, e que às vezes começava a cantar e dizia que Deus havia falado com ele através de uma caixa. De acordo com o jornal Los Angeles Times, um blog chamado "Vozes Reveladas" registrado por Garrido diz que Deus deu a ele a capacidade de "falar a linguagem dos anjos para dar um alerta que vai, quando for a hora certa, incluir a salvação do mundo inteiro".

 

Phillip Garrido e sua mulher, Nancy, de 54 anos, foram detidos na quinta-feira após terem aparecido em uma delegacia na cidade de El Dorado, ao lado de duas crianças e uma mulher, por conta de uma outra investigação. Os policiais teriam desconfiado que a mulher que acompanhava o casal e usava o nome de Allissa era Jaycee. A jovem teria sido estuprada por Garrido pela primeira vez aos 14 anos.

 

O caso começou a ser desvendado na terça-feira, quando Garrido tentou entrar no campus de Berkeley da Universidade da Califórnia com as duas meninas para distribuir panfletos religiosos. Um guarda do campus achou suspeita a forma de interação dele com as duas meninas, e por isso investigou o histórico do homem e acabou alertando o agente responsável pela fiscalização da prisão condicional. As autoridades disseram que Garrido havia cumprido pena numa prisão de Nevada por um caso de seqüestro e estupro ocorrido em 1971.

 

Por causa de sua condenação como pedófilo, Garrido estava proibido de estar na presença de menores e deveria se reportar a um responsável pelo monitoramento de sua liberdade condicional. Ele havia cumprido pena por abuso sexual, deixando a prisão em 1999.

 

 
 Foto: AP
 Jaycee teria tido dois filhos com o sequestrador no cativeiro

Reencontro com a mãe

 

Jaycee, hoje com 29 anos, encontrou-se com a mãe e a irmã, depois que a polícia prendeu o casal suspeito de ter mantido a jovem como refém por quase duas décadas. A jovem teria sido estuprada e tido dois filhos com Garrido durante o tempo em que esteve confinada. Segundo o jornal americano The New York Times, sua mãe, Terry Probyn, disse que o estado da filha era bom.

 

O padrasto de Dugard, Carl Probyn, disse que não tem dúvida de que a mulher encontrada pela polícia do Estado americano da Califórnia é realmente a filha que ele viu de longe, da janela de sua casa em South Lake Tahoe, ser arrastada para dentro de um carro quando esperava um ônibus, há 18 anos. "Ela respondeu a todas as perguntas corretamente", disse ele, de acordo com o periódico. "Por isso que teste de DNA não é necessário". O padrasto contou ainda a uma TV que ele e a mãe da moça "choraram por cerca de dez minutos" depois de serem informados que ela estava viva.

 

"É um milagre termos conseguido tê-la de volta", afirmou em entrevista ao jornal Los Angeles Times. "Como você consegue recuperar 18 anos? Eu só espero que ela tenha uma vida decente daqui para a frente. A vida dela parou aos 11 anos."  O padrasto e a mãe de Jaycee se separaram após o sequestro da menina. Ele foi considerado um suspeito no caso.

 

Segundo o delegado da polícia de El Dorado, Fred Kollar, o casal Garrido vivia com Jaycee e as duas crianças em uma residência na cidade de Antioch, na Califórnia. Kollar afirmou ainda que a polícia realizou buscas no local e encontrou um quintal escondido, com barracas, tendas e cômodos, onde Jaycee e as duas filhas teriam passado a maior parte de suas vidas. "Elas nunca foram para a escola; nenhuma delas jamais visitou um médico", afirmou Kollar, segundo o New York Times. "Elas foram mantidas em total isolamento." Além disso, a polícia encontrou ainda um carro escondido no quintal que confirma a descrição feita quando Jaycee foi sequestrada.

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