Suspeito de atirar em deputada nos EUA tem 'passado problemático'

Colegas dizem que Loughner era um rapaz solitário que interrompia aulas com explosões ocasionais

Associated Press,

09 de janeiro de 2011 | 05h14

TUCSON - Um perfil inicial do homem acusado de atirar neste sábado, 8, na cabeça da deputada do Partido Democrata Gabrielle Giffords, em um ataque que também matou seis pessoas em Tucson, no Arizona, começa a emergir. As autoridades mencionam um jovem de 22 anos com um passado problemático, e os vizinhos lembram de um rapaz solitário.

 

Um antigo colega de classe disse que o suposto atirador, Jared Loughner, frequentemente fazia as coisas sozinho. Outro o descreveu como um estudante que interrompia aulas com explosões ocasionais. Vizinhos disseram que Loughner não era hostil com ninguém, mas tampouco demonstrava simpatia.

 

"Ele era um cara no colegial que definitivamente tinha suas opiniões sobre as coisas e não parecia se importar com o que as pessoas achavam dele", disse Grant Wiens, 22 anos, seu colega.

 

Loughner foi detido no sábado, 8, após autoridades disserem que ele abriu fogo na área externa de um supermercado enquanto Giffords falava com eleitores. O ataque deixou a congressista ferida. Um juiz federal, uma menina de 9 anos e outras quatro pessoas acabaram mortas.

 

Autoridades disseram que o suposto atirador mirou na congressista, mas a motivação exata ainda é desconhecida. Muitos se perguntaram se o clima político polarizado nos Estados Unidos influenciaram a atitude, mas até a orientação política de Loughner ainda é desconhecida.

 

O delegado do condado de Pima, Clarence Dupnik, descreveu o atirador como mentalmente instável e disse que ele provavelmente teve ajuda de comparsas.

 

Policiais federais se debruçaram sobre versões de uma página da rede social MySpace que pertencia a Loughner e um vídeo no YouTube publicado semanas atrás na conta "Classitup10", vinculada ao acusado.

 

A página no MySpace, removida minutos após o atirador ser identificado por policiais, incluía uma misteriosa mensagem "Adeus amigos" publicada horas antes do ataque e pedia a seus amigos: "Por favor não fiquem bravos comigo".

 

Nessa página, Loughner falava de como gostava de ler e por diversas vezes escreveu sobre alfabetização, reclamando que a taxa era especialmente baixa no distrito onde morava. "A maioria das pessoas que moram no Distrito 8 são analfabetos hilários. Eu não controlo sua estrutura gramatical inglesa, mas você controla sua estrutura gramatical inglesa", disse.

 

Seu colega Wiens disse que Loughner costumava ser crítico a respeito de religiões e que ele gostava de fumar maconha. "Parecia que ele não era muito ligado a religiões", disse Wiens. "Não sei se flutuar sobre a vida seria o termo correto, mas ele realmente só se envolvia com as coisas deles".

A página no MySpace do acusado indicava que ele se graduou em uma escola no noroeste de Tucson, e não informava se ele estava empregado.

 

Tamara Crawley, diretora do distrito escolar em Tucson, disse que Loughner teve aulas no colegial da escola Mountain View por três anos, mas desistiu após completar seu primeiro ciclo em 2006. Crawley não soube informar por que Loughner desistiu do colegial na Mountain View e não estava claro se ele chegou a se transferir para outra escola na região.

 

Lynda Sorenson disse que assistiu aulas de matemática com Loughner no último verão e afirmou que ele era "claramente muito perturbado". "Ele interrompia as aulas frequentemente com explosões sem sentido", disse.

 

Em um vídeo de 15 de dezembro no YouTube, Loughner se descreve como um recruta militar dos Estados Unidos. O Exército americano divulgou uma nota dizendo que Loughner não chegou a ser recrutado.

 

Em outubro de 2007, Loughner foi autuado no condado de Pima por posse de objetos relacionados ao uso de drogas e cumpriu um programa de reabilitação, segundo registros online.

 

Um ano depois, ele foi acusado por uma desconhecida "acusação local" em Marana, próximo a Tucson. Essa acusação também foi retirada após ele completar um programa de reabilitação em março de 2009, segundo o jornal Daily Star.

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