Suspeito de matar 13 no Texas teria contatado clérigo islâmico

Psiquiatra muçulmano abriu fogo na base miltiar de Fort Hood, a maior dos EUA, após gritar 'Deus é grande!'

Reuters,

10 Novembro 2009 | 10h58

Fontes oficiais dos EUA informaram nesta terça-feira, 10, que agências de inteligência americanas descobriram que o psiquiatra do Exército que abriu fogo dentro da base de Fort Hood, no Texas, e deixou 13 mortos entrou em contato com um simpatizante islâmico da Al Qaeda. Aind asegundo as fontes, tais informações foram transmitidas às autoridades antes do ataque.

 

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Enquanto as agências monitoravam os contayos com Anwar al-Awlaki, um ferrenho clérigo anti-EUA no Iêmen que simpatizava com a Al Qaeda, foram descobertas algumas comunicações do fim do ano passado com o suspeito de ter causado o tiroteio, o major Nidal Malik Hasan, afirmaram oficiais americanos.

As fontes afirmam que a informação foi dada por autoridades federais que determinaram que os textos de Hasan são consistentes com seus trabalhos acadêmicos, e não ofereciam pistas de que ele planejava um ataque ou estava seguindo ordens de alguém.

As autoridades decidiram indiciar Hasan, um americano muçulmano descendente de palestinos, em um tribunal militar após o tiroteio de quinta-feira no posto de Fort Hood onde 30 outras pessoas foram feridas, duas delas autoridades do governo.

Com o FBI e representantes militares dando informações a parlamentares no fim da segunda-feira e outros comentários de diversas autoridades, parece que diferentes partes do governo estão procurando evitar serem culpadas por falhar em evitar o tiroteio.

Um representante da inteligência disse "não haver sinal até o momento de que a CIA obteve informação relevante sobre o caso e simplesmente a ignorou". A autoridade norte-americana falou em condição de anonimato por conta da natureza sensível da investigação.

 

FBI

 

Também nesta terça-feira, o jornal The Washington Post revelou que, há um ano e meio, Hasan disse a seus colegas que as Forças Armadas dos EUA deveriam liberar os muçulmanos que não queriam lutar em guerras, sob o argumento de objeções de consciência. Hasan afirmou na época que isso ajudaria a "diminuir efeitos adversos".

 

O diretor do FBI, Robert Mueller, ordenou a investigação sobre como o escritório lidou com o caso. A partir de todas as investigações até o momento, não há evidências de que Hasan recebeu ajuda externa ou ordens de outra pessoa.

 

Os contatos por várias vezes com o imã ocorreram meses antes. Al-Awlaki era o imã da mesquita Falls Church, na Virginia, onde Hasan e sua família iam ocasionalmente. Em 2001, Al-Awlaki, nascido nos Estados Unidos, teve contato com dois dos sequestradores do 11 de Setembro. Em seu site, ele elogiou na segunda-feira Hasan, qualificando-o como um herói.

 

Autoridades militares foram informadas sobre os contatos entre o militar e o pregador radical. Como as mensagens, porém, não tinham ameaças de violência, autoridades civis não levaram o caso adiante, segundo as fontes. A força-tarefa que investiga terrorismo concluiu que Hasan não estava envolvido no planejamento de atentados.

 

Um funcionário disse que as mensagens incluíam dúvidas espirituais de Hasan. O imã não respondeu a pelo menos uma parte delas. Não foi aberta uma investigação formal a partir desses contatos, revelaram as fontes.

 

Investigadores tentaram falar com Hasan no hospital, mas ele se recusou a responder e pediu um advogado. O encontro entre ele e o advogado ocorreu na segunda-feira. O crime mais grave em uma corte militar americana é homicídio premeditado, e a pena máxima prevista nesse caso é a morte.

No Congresso, o senador Joe Lieberman anunciou que vai abrir uma investigação para determinar se o ataque foi ou não um ato terrorista. O parlamentar disse esperar descobrir se o Exército errou ao não perceber indícios de que Hasan teria visões extremistas.

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