Reuters
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Suspeitos de plano terrorista em NY agiram sozinhos

Polícia afirma que homens que pretendiam explodir sinagogas não tinham ligação com grupos terroristas

21 de maio de 2009 | 14h00

Quatro homens foram detidos na noite de quarta-feira depois de instalar o que eles pensavam que fossem explosivos nas proximidades de uma sinagoga e de um centro judaico. Eles também planejavam derrubar um avião militar com o objetivo de levar a guerra santa aos Estados Unidos. Segundo o jornal The New York Times, a polícia afirmou que os suspeitos aparentemente agiram sozinhos, sem ligação com nenhuma organização terrorista.

 

Os suspeitos foram presos pouco depois de colocar um falso explosivo de 17 quilos no porta-malas de um carro estacionado do lado de fora do Templo Riverdale e duas bombas falsas no assento traseiro de um veículo nas proximidades do Centro Judaico, a poucos quarteirões de distância. A polícia impediu a fuga dos suspeitos, que dirigiam um SUV com os vidros pintados, com um caminhão de 18 rodas. Os atacantes estavam desarmados.

 

O procurador interino Lev L. Dassin disse que os acusados pretendiam explodir os carros com explosivos plásticos e destruir o tempo e o centro judaico. Eles também planejavam atingir mísseis terra-ar em aviões da base aérea nacional em Newburgh, cerca de 112 quilômetros ao norte de Nova York.

 

Em seus esforços para adquirir armas, os acusados negociaram com um informante que trabalhava sob supervisão das autoridades. O FBI (a polícia federal dos Estados Unidos) e outras agências monitoraram os homens e forneceram um míssil inativo e explosivos plásticos C4 inertes para o informante dos acusados.

 

Durante uma entrevista coletiva do lado de fora do templo, localizado no Bronx, o comissário de polícia Raymond Kelly citou um dos homens dizendo que "se judeus morressem no ataque tudo estaria certo". James Cromitie, David Williams, Onta Williams e Laguerre Payen, todos de Newburgh, Nova York, foram acusado de conspiração para o uso de armas de destruição em massa dentro dos Estados Unidos e de conspiração para adquirir e usar mísseis antiaéreos, informou o escritório do procurador. "Eles afirmaram que queriam fazer a Jihad", disse Kelly.

 

Segundo o comissário de polícia, os presos se conheceram na prisão. Cromitie, 53 anos, que foi atribuído pelas autoridades como o criador do planos, já viveu no Brooklyn e tem mais de 27 passagens pela polícia por crimes menores. Três dos acusado são muçulmanos convertidos. Três dos atacantes são cidadãos norte-americanos e um é descendente de haitianos. "Eles afirmaram que queriam cometer jihad", disse Kelly a jornalistas, usando um termo que pode significar guerra santa. "Estavam perturbados com o que vem acontecendo no Afeganistão e Paquistão, com as mortes de muçulmanos. Declararam que, se judeus fossem mortos nesse ataque, isso estaria bem."

Quando conversaram com fiéis em uma das sinagogas visadas, na manhã da quinta, Kelly e o prefeito Michael Bloomberg transmitiram calma após a ameaça mais recente à cidade de Nova York, que desde 11 de setembro de 2001 vive em alerta, temendo outro ataque. "O incidente põe em destaque nossa preocupação com o terrorismo nacional, que sob muitos aspectos é o mais difícil de enfrentar", disse o comissário de polícia.

 

Os fiéis do Centro Judaico Riverdale, uma sinagoga ortodoxa na qual foi feita uma cerimônia matinal, ficaram chocados. "É inacreditável que isso ocorra aqui nesta comunidade", disse Rose Spindler, que afirmou ser sobrevivente do Holocausto. "Deveriam nos deixar viver. Como podem vir aqui e fazer isso a pessoas inocentes? Tivemos muita sorte". David Winter, diretor-executivo da sinagoga, disse que a possibilidade de um ataque "sempre está presente na nossa mente".

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