Taleban aplaude decisão de Obama de fechar Guantánamo

Grupo afirma que medida é 'passo positivo' e pede que novo presidente rompa com 'políticas satânicas' de Bush

Efe e Reuters,

28 de janeiro de 2009 | 08h28

O Taleban qualificou como "passo positivo" a decisão do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de fechar a prisão de Guantánamo. Em mensagem publicada em uma página islâmica na internet na terça-feira, 27, rastreado pelo Grupo de Inteligência SITE dos Estados Unidos, o grupo disse ainda que a paz só será possível se Obama retirar todas as tropas do Afeganistão e do Iraque. Um dia após ser empossado na semana passada, Obama ordenou o fechamento da prisão na baía de Guantánamo, em Cuba, onde prisioneiros têm sido detidos por anos sem acusação formal, alguns sujeitos a interrogatórios que grupos de direitos humanos dizem equivaler à tortura. Obama ordenou uma revisão integral da estratégia dos EUA no Afeganistão, prometendo aumentar as tropas ali e tomar iniciativa contra a crescente insurgência do Taleban.  "A ordem de Obama de fechar o centro de detenção de Guantánamo é uma medida positiva para a paz e a estabilidade na região e no mundo", assinalou o grupo que combate as forças americanas no Iraque.  O grupo Taleban pediu a Obama que acabe com todas "as políticas satânicas" de seu antecessor, George W. Bush. "Se Obama tem razão e, segundo suas palavras, quer abrir uma nova página baseada na relação pacífica de respeito mútuo com o mundo islâmico, a primeira coisa que tem a fazer é anular todos esses procedimentos arquitetados de acordo com a política criminosa de Bush", assinala a mensagem. O Taleban, deposto em 2001 do poder no Afeganistão após uma invasão liderada pelos EUA, também disse ao novo presidente que enviar mais tropas ao país "e o uso de força contra povos independentes no mundo já perderam sua efetividade". "Ele deve retirar completamente todas as suas forças dos dois países islâmicos ocupados (Afeganistão e Iraque) e parar de defender Israel contra os interesses islâmicos no Oriente Médio e no mundo inteiro", disse a mensagem.  Obama nomeou o ex-embaixador na ONU Richard Holbrooke para ocupar o posto primeiro enviado dos EUA para o Afeganistão e o Paquistão, uma região que Obama classificou como "o front central" na batalha contra o terrorismo. Acredita-se que Osama bin Laden esteja escondido no Paquistão, em uma remota e montanhosa área de fronteira com o Afeganistão.

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