Tanques russos patrulham capital da Ossétia do Sul, agora vazia

Tanques e soldados russospatrulhavam as ruas da semidestruída capital da Ossétia do Sul,Tskhinvali, na terça-feira, enquanto a cidade começava aenterrar os mortos nos cinco dias de conflito com a Geórgia. Vestidas de preto, pessoas reuniam-se em uma colina dascercanias da capital, ao redor de um caixão aberto, ao mesmotempo que um comboio militar carregando água, alimentos e armaspassava pela estrada principal rumo a Tskhinvali, que poucosdias atrás abrigava 35 mil habitantes. A maior parte dessaspessoas fugiu dali. "Isso se parece com Stalingrado, não é?", perguntouTeimuraz Pliyev, 62, que disse ter ficado três dias escondidoem um porão com sua mulher e filhos. "Bárbaros! Vejam: isto é ademocracia georgiana! Se não fosse pela Rússia, já teríamossido enterrados aqui". Na esquina da rua Moscou com a rua Forças de Paz, podiamser vistos dois tanques georgianos T-72 destruídos. As rodasdeles encontravam-se a metros de distância. Tskhinvali recebeu a parte mais pesada dos ataquesdesferidos durante o conflito na Ossétia do Sul. A região ficadentro da Geórgia, mas pôs fim ao domínio georgiano em umaguerra de 1991-92, ao declara-se independente. Essa últimamanobra, porém, não ganhou reconhecimento internacional. Os militares russos afirmam que 1.600 pessoas foram mortasnos combates travados desde o final da quinta-feira, quando ogoverno georgiano enviou soldados para lá com a missão deretomar o controle sobre a região. A maior parte da população da Ossétia do Sul não pertence àetnia dos georgianos e muitos possuem passaportes russos. Elesusam o rublo como moeda corrente. E o governo russo forneceapoio financeiro e político ao território, apesar de não tê-loreconhecido como um Estado independente. O Exército russo escoltou um pequeno grupo de repórteresestrangeiros durante uma volta por Tskhinvali na terça-feira,controlando a movimentação deles e escolhendo os locais quevisitariam. Um coronel do Exército que não quis ter sua identidaderevelada disse que os combates na cidade haviam quase chegadoao fim. "Ainda ocorrem alguns disparos vindos de franco-atiradores.Mas estamos acabando com eles de forma gradual e definitiva",afirmou à Reuters. Segundo um correspondente da Reuters, o volume de veículosmilitares circulando pela cidade diminuiu.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.