Tea Party fica isolado em debate tributário nos EUA

O presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, o republicano John Boehner, espera poupar o seu partido de uma segunda derrota constrangedora por causa da desoneração tributária dos salários, e para isso se prepara para isolar parlamentares rebeldes aliados ao grupo do Tea Party, segundo assessores do Congresso.

RICHARD COWAN E THOMAS FERRARO, REUTERS

13 de janeiro de 2012 | 09h23

Em dezembro deputados republicanos foram criticados dentro e fora do partido por inicialmente rejeitarem um projeto do Senado que ampliaria até fevereiro um benefício tributário que alcança 160 milhões de norte-americanos, e que é visto como um estímulo para a recuperação econômica.

O partido que tradicionalmente defende os impostos baixos ficou na defensiva, e agora seus líderes estão ávidos por um acordo, a ser discutido nos próximos dias com os democratas, que prorrogue a desoneração pelo restante do ano.

Os líderes republicanos temem que uma nova batalha os desvie da sua tarefa prioritária - tirar Barack Obama da Casa Branca e conquistar a maioria do Senado na eleição geral de novembro. Eles também querem neutralizar um tema que os democratas já estão usando a seu favor na campanha eleitoral.

"Acho que Boehner buscará uma abordagem mais conciliadora, para levar um bom percentual dos democratas a votarem a favor - mesmo que isso lhe custe muitas baixas entre os novatos republicanos da Casa", disse um assessor da liderança partidária à Reuters.

"Os instintos dele não serão tão dependentes dos novatos", afirmou o assessor, referindo-se aos 85 parlamentares em primeiro mandato.

Esse grupo, alinhado principalmente com o movimento populista-direitista Tea Party, ajudou o Partido Republicano a formar maioria em 2010, mas se mostra teimosamente avesso a acordos relacionados com impostos e gastos públicos.

O Congresso tem até 29 de fevereiro para aprovar a desoneração tributária, que assegura cerca de mil dólares extras por ano a cada família típica de classe média.

Os republicanos nunca se entusiasmaram muito por esse benefício criado por Obama, pois questionam sua eficácia em estimular a economia e a conveniência de usar recursos que seriam destinados à previdência.

Mas a repercussão do embate de dezembro com os democratas foi tão ruim para os republicanos que alguns assessores parlamentares agora falam em selar o acordo antes de 24 de janeiro, quando Obama faz o seu discurso anual do Estado da União.

Alguns parlamentares do Tea Party, porém, já olham para além dessa questão, avaliando formas de levar adiante suas reivindicações relacionadas à redução do seguro-desemprego e de alguns programas federais de saúde, e congelamento de salários do funcionalismo.

Em dezembro, ao anunciar a prorrogação do benefício por dois meses, durante uma teleconferência com a base partidária, as linhas telefônicas tiveram de ser cortadas para abafar o descontentamento dos militantes.

Tudo o que sabemos sobre:
EUATEAPARTYIMPOSTOS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.