Telegramas que vazaram revelam negociações dos EUA para fechar Guantánamo

Rei da Arábia Saudita propôs a implantação de um chip nos detidos para monitorar os presos

Efe

30 de novembro de 2010 | 03h35

WASHINGTON - Os periódicos que tiveram acesso aos documentos diplomáticos americanos expostos pelo site Wikileaks revelaram na segunda-feira, 29, com riqueza de detalhes, a negociação diplomática para tentar fechar a prisão de Guantánamo, em Cuba.

Algumas das informações, como a que dá conta que Washington ofereceu incentivos milionários ao arquipélago de Kiribati, um país insular situado no oceano Pacífico, já tinham sido revelados no domingo.

Nesta segunda-feira, porém, o diário americano The New York Times e o espanhol El País expuseram outros dados, como a proposta do rei Abdullah, de Arábia Saudita, de implantar um chip nos detidos em Guantánamo que retornassem a países caóticos, como o Iêmen.

A medida oferecia, na opinião do monarca saudita, a solução perfeita para os temores de Washington de que os prisioneiros desaparecessem ou decidissem se juntar a uma organização terrorista.

A sugestão do rei Abdullah foi apresentada em Riad, em 15 de março de 2009, ao assessor antiterrorista da Casa Blanca, John Brennan, e a outros altos funcionários americanos, ao argumentar que o rastreamento de movimentos com chips era algo já feito com "falcões e cavalos".

"Os cavalos não têm bons advogados", respondeu Brennan na ocasião, segundo os telegramas diplomáticos até então secretos.

Após sua chegada ao poder, o presidente Barack Obama disse que fecharia a prisão militar de Guantánamo no prazo de um ano, uma promessa ainda não cumprida, apesar dos notáveis esforços diplomáticos. As mensagens revelam que foram poucos os países dispostos a ajudar.

O diário El País relata como os EUA tiveram como barreira países "impossíveis de convencer", como o Kuwait, que segundo os documentos que vazaram se negou a receber os quatro kuwaitianos que permaneciam na base militar e chegou a propor que Washington "libertasse" os presos em alguma zona de combate afegã, onde correriam o risco de morrer.

Os diplomatas americanos buscavam países que não só estivessem dispostos a acolher detidos, mas que demonstrassem que os vigiariam de perto.

Uma das esperanças de Washington era a Europa, mas a tarefa também não foi fácil.

O El País menciona que em seu afã em transferir os prisioneiros para a Europa o mais rápido possível, os EUA insistiram que estavam entregando os que tinham os melhores históricos.

Atualmente, permanecem presos em Guantánamo cerca de 170 supostos terroristas.

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