Tempestade gigante mata 30 e paralisa Costa Leste dos EUA

Milhões de pessoas foram afetadas nesta terça-feira pela passagem da gigantesca tempestade Sandy por Nova York e por um amplo trecho da Costa Leste norte-americana, que sofreu grandes inundações e apagões generalizados. O número de mortos subiu para pelo menos 30.

ANNA LOUIE E MICHAEL ERMAN, Reuters

30 de outubro de 2012 | 18h11

Sandy, que chegou à costa durante à noite em Nova Jersey, com ventos semelhantes aos de um furacão, foi a maior tempestade a atingir o país em várias gerações. Entre outros transtornos, causou inundações no metrô de Nova York e no entorno da Wall Street, em Manhattan, interrompendo pelo segundo dia as atividades no mais importante mercado financeiro mundial.

Enfraquecido, mas ainda abrangente, o sistema continuou avançando para o interior, e mais de 1 milhão de pessoas em 12 Estados permanecem sob ordens de deixar suas casas. Por onde passou, Sandy deixou um rastro de destruição, com casas submersas, árvores arrancadas e fiações de luz caídas.

A tempestade interrompeu a campanha presidencial, exatamente uma semana antes da eleição, mas deu ao presidente Barack Obama uma vitrine para expor sua liderança. Obama foi elogiado pelo governador de Nova Jersey, Chris Christie, apoiador do rival eleitoral do presidente, o republicano Mitt Romney.

"Quero todos inclinados sobre isso", disse Obama a seus assessores na Sala de Situação da Casa Branca, segundo relato de um presente. "Não quero escutar que não fizemos algo porque a burocracia atrapalhou."

Na costa de Nova Jersey, empresas e moradias sofreram uma devastação que Christie descreveu, após ver fotos aéreas, como "impensável".

Obama baixou decretos declarando situação de "grande desastre" em Nova York e Nova Jersey. Uma empresa especializada previu prejuízos de até 20 milhões de dólares no país, sendo apenas metade do valor coberto por seguro.

"Que ninguém se engane. Esta é uma tempestade devastadora, talvez a pior que já tenhamos experimentado", disse o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg.

Em toda a Costa Leste, moradores e empresários acordaram com cenas de destruição em suas propriedades. "Há barcos a cinco quarteirões do mar", disse Peter Sandomeno, dono de um hotel à beira-mar na praia de Point Pleasant, em Nova Jersey.

Sandy provocou uma ressaca recorde no centro de Manhattan, alcançando 4,2 metros, bem acima do recorde anterior, de 3 metros, durante o furacão Donna, em 1960, segundo o Serviço Nacional de Meteorologia.

A água penetrou pelos túneis do metrô, e Bloomberg disse que o sistema deve levar quatro ou cinco dias para ser reativado.

"Chegando na maré alta, a ressaca mais forte e os ventos mais fortes chegaram todos no pior momento possível", disse o meteorologista Jeffrey Tongue, em Brookhaven, Nova York.

BEBÊS RETIRADOS

Foram registrados ventos de até 145 quilômetros por hora, segundo ele. "Tomara que seja uma tempestade única na vida", afirmou Tongue.

Enquanto moradores e empresas iniciam o enorme e custoso trabalho de limpeza e recuperação, grande parte da região continuava sem luz, e os transportes na região metropolitana de Nova York permanecem paralisados.

O Departamento de Energia afirmou que mais de 8 milhões de consumidores residenciais e empresariais continuam sem eletricidade em vários Estados.

A inundação sem precedentes atrapalhou os esforços de combate a um incêndio que destruiu mais de 50 casas num condomínio Breezy Point, no recife de Rockaway, que pertence ao distrito nova-iorquino do Queens.

Por causa de uma falha no gerador reserva, o hospital Tisch, da Universidade de Nova York, precisou transferir mais de 200 pacientes, inclusive bebês ligados a respiradores na UTI neonatal.

Quatro dos recém-nascidos precisaram ser levados a pé por nove lances de escada, enquanto enfermeiras manipulavam sacos plásticos para bombear ar até os pulmões dos bebês, segundo a CNN.

O número de mortos continua subindo, com relatos de pelo menos 30 vítimas fatais nos Estados Unidos.

"Infelizmente, a tempestade cobrou vidas em toda a região, incluindo pelo menos dez na nossa cidade ... e prevemos que o número suba", disse Bloomberg.

Outras mortes relacionadas à tempestade ocorreram em outras partes do Estado de Nova York e também em Massachusetts, Maryland, Connecticut, Nova Jersey, Pensilvânia, Virgínia e Virgínia Ocidental. A polícia de Toronto, no Canadá, também registrou uma morte, de uma mulher atingida por destroços.

Na semana passada, a tempestade Sandy, então classificada como furacão, já havia matado 66 pessoas no Caribe.

(Reportagem adicional de Daniel Bases, Edward Krudy e Scott DiSavino, em Nova York; e de Tabassum Zakaria, em Washington)

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