'Tomamos a decisão certa no Iraque', diz Dick Cheney

Vice-presidente americano afirma que 'mundo é melhor' sem Saddam e defende continuidade de Guantánamo

Agências internacionais,

16 de dezembro de 2008 | 18h12

Em sua primeira entrevista à televisão desde as eleições presidenciais, o vice-presidente americano, Dick Cheney, disse que a administração Bush "tomou a decisão certa" ao invadir o Iraque. Apesar de ter admitido sua "frustração" na falha da inteligência sobre as armas de destruição em massa - argumento que o presidente George W. Bush sustentou para iniciar a guerra -, Cheney afirmou que "o mundo é melhor" sem o ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, segundo a rede CNN. Veja também:Time de Obama discute mudança de políticas de interrogatórios "Saddam Hussein ainda tinha a capacidade de produzir armas de destruição em massa. Ele tinha tecnologia, tinha o povo... Tinha intenções para retomar a produção uma vez que as sanções internacionais fossem levantadas. Foi um mau ator", acrescentou o vice-presidente. Na entrevista para a rede ABC, Cheney também disse que o governo Bush não torturou suspeitos de terrorismo. "Aqueles que dizem que estivemos envolvidos com tortura, o que de alguma forma violamos a Constituição, simplesmente não sabem do que estávamos falando", defendeu. Sobre a prisão americana de Guantánamo, o vice-presidente afirmou que "não seria responsável fechar" o local até "o fim da guerra contra o terror." "O que você fará com os prisioneiros mantidos em Guantánamo?", perguntou ele. "Ninguém ainda resolveu esse problema". Cheney ainda disse não considerar abusivas as práticas adotadas nos interrogatórios, e defendeu especificamente que tenha sido usada a simulação de afogamento para obter confissões de Khalid Sheikh Mohammed, suposto mentor dos atentados de 11 de setembro. Os Estados Unidos mantêm cerca de 250 presos em Guantánamo, a maioria sem acusação formal. Outros 250 já foram libertados ou transferidos. Em outra entrevista, ao radialista conservador Rush Limbaugh, Cheney disse que a prisão tem sido "muito bem administrada", e que o governo de Barack Obama, que toma posse em 20 de janeiro, terá dificuldades para desativá-la, apesar de ele ter prometido isso em sua campanha eleitoral.  "Uma vez que você sai e captura um bando de terroristas, como fizemos no Afeganistão e em outros lugares, então você tem de colocá-los em algum lugar. Se você os traz aqui para os EUA e os coloca no nosso Judiciário local, então eles terão direito a todos os tipos de direitos que estendemos apenas aos cidadãos americanos. Lembre-se de que são combatentes ilegais", afirmou Cheney. "Guantánamo tem sido valiosíssimo. E acho que (o governo Obama) vai descobrir que tentar fechá-lo será uma proposta duríssima." Despreparo No começo do mês, Bush admitiu, em entrevista à emissora ABC, que não estava preparado para a guerra no Iraque - apontada como um dos fatores que mais contribuíram para sua impopularidade - quando assumiu a Presidência, em 2000. "O maior arrependimento de toda a Presidência deve ser a falha de inteligência no Iraque. Várias pessoas colocaram sua reputação à prova e disseram que as armas de destruição em massa eram a razão para depor Saddam Hussein", revelou ele. Mas o presidente americano se recusou a especular se entraria na guerra se a inteligência tivesse dito que o Iraque não possuía armas de destruição. "Essa é uma questão interessante. É uma reconstituição que não posso fazer", afirmou Bush, que concluiu a entrevista dizendo que deixará a Presidência com a "cabeça erguida."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.