Tornado mata ao menos 116 pessoas no Meio-Oeste dos EUA

Um tornado gigantesco com quase 1,5 quilômetro de extensão matou pelo menos 116 pessoas em Joplin, no Missouri, quando passou pelo centro da pequena cidade no Meio-Oeste dos Estados Unidos, arrancando o teto de um hospital e destruindo centenas de casas e empresas.

KEVIN MUR, REUTERS

23 de maio de 2011 | 19h05

O Instituto de Meteorologia norte-americano disse que o tornado que devastou a cidade de 50 mil habitantes à noite foi o mais mortal a atingir o país desde 1953.

Autoridades dos serviços de emergência disseram que 116 pessoas morreram e cerca de 400 ficaram feridas. De acordo com autoridades locais, diversas pessoas apresentavam lesões internas muito sérias.

Sete pessoas foram resgatadas, disse o governador do Missouri, Jay Nixon, em entrevista coletiva em Joplin. Equipes dos serviços de emergência fizeram buscas por sobreviventes durante a noite e na segunda-feira enquanto chovia e trovoava.

Os sobreviventes da tempestade contaram histórias assustadoras de serem levados pelos ventos de 306 a 318 quilômetros por hora, de tentar se esconder em refrigeradores de restaurantes e em lojas de conveniência, se encolhendo em banheiras ou em closets, ou de correr para salvar a suas vidas quando o tornado chegou.

"Estávamos sendo atingidos por pedras e eu nem sei o que me acertou", disse Leslie Swatosh, de 22 anos, que se jogou no chão de uma loja de bebidas com outras pessoas que se seguravam umas nas outras e rezavam.

Quando o tornado passou, a loja estava destruída, mas quem conseguiu entrar e se jogar no chão sobreviveu. "Todos na loja foram abençoados. Não sobrou nada lá", ela disse.

Mais tempestades agressivas estão previstas para a região, em um ano com tornados de força recorde em vários Estados. Para complicar ainda mais os esforços de resgate, as linhas de eletricidade caíram, os encanamentos de gás quebrados deram início a incêndios e a telefonia celular não estava funcionando por conta de 17 torres derrubadas.

"Nós ainda achamos que há gente viva embaixo dos destroços e estamos trabalhando duro para alcançá-los", disse Nixon.

Vários corpos foram encontrados na rua dos principais restaurantes da cidade, na área comercial de Joplin, que foi atingida em cheio pelo tornado, assim como um lar de idosos, disse Mark Bridges, xerife do condado de Newton.

Devastando um caminho de 9,5 quilômetros de distância com 1 quilômetro de largura, o furacão devastou bairros inteiros, destruiu árvores, virou carros e caminhões de cabeça para baixo. Cerca de 2 mil casas e várias empresas, escolas e outros prédios foram destruídos.

No hospital St John, 180 pacientes se encolheram para se proteger da força dos ventos que destruíram janelas e arrancaram o telhado. De acordo com o principal meteorologista do AccuWeather.com Alan Reppert, exames de raios x do hospital foram encontrados a cerca de 100 quilômetros de distância.

Os moradores da cidade foram avisados com 20 minutos de antecedência quando as 25 sirenes de alerta tocaram na cidade do Missouri às 18h no horário local, disse o diretor de gerenciamento de emergências do condado de Jasper, Keith Stammers.

Mas o governador disse que muitas pessoas não conseguiram chegar aos abrigos em tempo. "Em resumo, a tempestade estava tão ensurdecedora que muitos provavelmente não conseguiram ouvir as sirenes." Ele declarou estado de emergência e pediu ajuda à Guarda Nacional do Missouri.

Estimativas apontam que 20 mil casas e empresas estão sem energia em Joplin. Para ajudar nas comunicações, a Verizon Wireless, subsidiária da Verizon Communications, disse que vai instalar três torres temporárias de telefonia celular para fornecer o serviço sem fio de emergência.

O tornado de Joplin foi o mais recente em uma série de furacões poderosos que trouxeram morte e devastação em vários Estados. Eles acompanharam as inundações no vale do rio Mississippi, que teve uma quantidade histórica de enchentes.

Tornados mataram mais de 300 pessoas e causaram mais de 2 bilhões de dólares de prejuízos em Estados do sul dos Estados Unidos no mês passado, matando mais de 200 pessoas apenas no Alabama.

(Reportagem adicional de David Bailey, Colleen Jenkins, Chris Michaud, Tim Ghianni e Scott DiSavino)

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