Três manifestantes anti-Otan enfrentam acusações de terrorismo

Três manifestantes anti-Otan presos durante uma incursão tarde da noite, dias antes do começo da cúpula que reúne representantes de 60 países, foram acusados de terrorismo por posse de explosivos, segundo informações dadas pela policia e pelos seus advogados, neste sábado.

ERIC JOHNSON, REUTERS

19 Maio 2012 | 16h17

Entretanto, defensores dos três homens presos na noite de quarta-feira numa residência no bairro de Bridgeport, em Chicago, contestaram as acusações e disseram que a policia confundiu material para fazer cerveja com explosivos.

O Departamento de Policia de Chicago disse que os homens foram acusados na sexta-feira de conspiração para cometer terrorismo, fornecimento de apoio material para o terrorismo e por posse de um artefato explosivo incendiário. Eles foram os únicos acusados em um grupo de nove pessoas que foram presas ao mesmo tempo.

"As acusações são ridículas. O CPD (Departamento de Polícia de Chicago) não sabe a diferença entre material para cerveja artesanal e um coquetel molotov," disse Natalie Wahlberg, uma integrante do grupo Occupy Chicago que protesta contra a desigualdade de renda.

A National Lawyers Guild - um grupo de advogados voluntários que representam os manifestantes, disse que a polícia "arrombou portas com armas na mão e fez buscas em residências sem um mandado judicial ou consentimento dos moradores", de acordo com um comunicado postado na página do grupo, no Facebook.

O departamento de policia se recusou a comentar os detalhes da incursão realizada por uma unidade de investigação especial.

Milhares de seguranças foram mobilizados para controlar as manifestações na semana que antecedeu a cúpula da Otan que começa domingo. O presidente Barack Obama e representantes de cerca de 60 países vão discutir a guerra no Afeganistão e outras questões de segurança internacional.

Autoridades policiais não confirmaram a origens dos homens presos para a Reuters. A audiência de fixação de fiança para os três acusados foi marcada para a tarde de sábado.

"Os advogados da NLG estão questionando por que a cidade levou 48 horas, o tempo limite para se manter alguém detido sem que uma audiência seja marcada, para fazer acusações tão graves", disse o grupo de advogados. "(A polícia) não apresentou qualquer prova de dolo ou má conduta por parte dos ativistas."

Uma das seis pessoas libertadas na sexta-feira, Darrin Annussek, de 36 anos, disse que ele foi algemado numa sala de interrogatório durante 18 horas, sem permissão para ir ao banheiro e não foi interrogado. A polícia se recusou a comentar sobre a sua detenção.

Os acusados foram cercados por viaturas policiais do lado de fora de uma farmácia, na semana passada e foram interrogados pela polícia sobre seus planos durante a cúpula da Otan, disse seu advogado.

Na sexta-feira, cerca de 2,5 mil pessoas protestaram de forma barulhenta, porém pacífica, principalmente sobre questões econômicas, numa praça no centro de Chicago e nas ruas ao redor dela.

A polícia disse que mais de uma dúzia de pessoas foi detida em eventos relativos ao evento da Otan. Um homem foi preso durante os protestos depois que ele subiu na torre de uma ponte, para arrancar um galhardete anunciando a cúpula da Otan, disse a polícia.

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