Tribunal condena motorista de Bin Laden a cinco anos de prisão

Promotoria pedia que Salim Hamdan ficasse detido por pelo menos 30 anos; ele pode ser solto em cinco meses

Agências internacionais,

07 de agosto de 2008 | 16h48

O júri do tribunal militar de Guantánamo divulgou nesta quinta-feira, 7, a sentença de Salim Hamdan, ex-motorista de Osama bin Laden. Seis jurados condenaram o iemenita a cinco anos e meio de prisão por apoio material a atos de terrorismo, no primeiro veredicto de um detento da prisão localizada em uma base militar em Cuba desde que ela foi criada, em 2002. Mais cedo, a promotoria pediu que a pena fosse pelo menos 30 anos de prisão.  Na última quarta-feira, Hamdan foi inocentado da acusação de conspiração, a mais grave que pesava sobre ele.   Veja também: 'Nunca soube que Bin Laden era terrorista', diz ex-motorista Saiba mais sobre os tribunais militares em Guantánamo Hamdan é condenado por apoio ao terrorismo   Preso em Guantánamo desde 2002, Hamdan ganhou um 'crédito' de 61 meses da corte pelo tempo que ficou detido. Por isso, a princípio, poderia ser solto em cinco meses. No entanto, o governo americano argumenta que pode manter Hamdan e outros "combatentes inimigos" presos indefinidamente, enquanto a guerra do terrorismo continuar.   "Eu gostaria de pedir desculpas mais uma vez para todos os membros e agradecer vocês pelo o que fizeram por mim", declarou o iemenita ao jurados americanos.   Após o juiz militar Keith J. Allred anunciar a sentença do prisioneiro, ele disse não estar certo do futuro de Hamdan depois do término da sentença criminal, em janeiro. "Depois disso, eu não sei o que acontece", explicou o capitão americano.   O julgamento abre caminho para que as comissões militares julguem até 80 presos de Guantánamo. Acusações já foram apresentadas contra outros 19 detentos. Críticos afirmam que Hamdan - semi-analfabeto - não tinha um papel importante na organização terrorista e foi usado como cobaia para testar o funcionamento das comissões militares.   Os promotores disseram que o detento, de 37 anos, fazia parte da cúpula da Al-Qaeda, mas os advogados de defesa argumentaram que ele era apenas um homem com pouco estudo e que colaborou com a corte ao fornecer detalhes sobre a organização terrorista. Nesta quinta, Hamdan lamentou a perda das "vidas inocentes" nos ataques de Bin Laden.   A pena surpreendentemente baixa dada a Hamdan provocou discussões sobre a viabilidade do sistema aplicado em Guantánamo.   "Depois de anos de batalha legal, esta sentença relativamente leve pode não ser o que os promotores estavam esperando, principalmente depois de todo o tempo, dinheiro e recursos gastos", disse ao jornal The New York Times Glenn Sulmasy, professor de Direito na Academia da Guarda Costeira e que é especialista na lei de segurança nacional.   Sulmasy no entanto, diz que a sentença pode reforçar os argumentos dos apoiadores da política governamental para Guantánamo de que os tribunais de guerra podem produzir julgamentos juntos.  

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