Tribunal derrubou lei contra ateísmo na Carolina do Sul

Originário de família judaica contestou norma que proibia ateus de ocuparem cargos públicos no Estado

Claudia Trevisan, O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2014 | 03h00

WASHINGTON - Criado numa família judaica ortodoxa da Filadélfia, Herb Silverman tornou-se descrente na adolescência e foi um não religioso “apático” até o fim dos anos 80, quando se mudou para a Carolina do Sul e descobriu que a Constituição estadual proibia ateus de ocuparem cargos públicos. 

“Achei que isso era demais.” Silverman consultou advogados da União Americana pelas Liberdades Civis (UCLA, na sigla em inglês) e concluiu que o único caminho para derrubar a restrição era disputar o governo estadual como candidato abertamente ateu e levar o caso ao Judiciário. Na eleição de 1990, ele registrou seu nome e deu início a uma batalha judicial que só terminou em 1997, quando a Suprema Corte da Carolina do Sul decidiu que o veto aos ateus era inconstitucional. O Estado fica no “Cinturão da Bíblia” dos EUA, a região do sudeste do país fortemente influenciada pelo protestantismo evangélico. 

Depois da vitória na Suprema Corte estadual, ele manteve seu ativismo ateu e, em 2002, participou da criação da Secular Coalition for America, grupo que defende interesses de não religiosos em âmbito nacional e em Washington. “Com a nossa cultura se tornando cada vez mais teocrática, pensei que era importante criar uma rede de organizações para sermos mais influentes”, afirmou.

Formada originalmente por 3 entidades, a coalizão reúne hoje 17 instituições, é registrada como grupo de lobby em Washington e realiza uma convenção nacional todos os anos. 

A chegada de George W. Bush à presidência, em 2001, é apontada pelos secularistas como o momento que marcou o fortalecimento do fundamentalismo cristão e da influência da religião sobre políticas públicas. Segundo Silverman, esse movimento se refletiu em referências cada vez mais frequentes a Deus em discursos políticos e no respeito crescente a posições religiosas no espaço público. “Isso fez com que os ateus se sentissem cidadãos de segunda categoria, com a percepção de que para ser patriota você precisa ser religioso.”

Silverman presidiu a Secular Coalition for America por dez anos, até 2012, quando passou a ser seu presidente emérito. Naquele ano, ele lançou o livro no qual narra sua trajetória: Candidate Without a Pray - An Autobiography of a Jewish Atheist in the Bible Belt (Candidato Sem Uma Oração - Autobiografia de um Judeu Ateu no Cinturão da Bíblia).

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