Tribunal militar dos EUA julga primeiro menor desde 2a Guerra

Os jurados poderão levar em consideração a idade de Omar Khadr ao decidir se ele teve a intenção de cometer um crime de guerra no Afeganistão quando tinha 15 anos, disse nesta terça-feira um juiz militar norte-americano a candidatos a formar o júri do julgamento do prisioneiro canadense.

JANE SUTTON, REUTERS

10 de agosto de 2010 | 16h04

O julgamento de Khadr por conspiração ao terrorismo e homicídio começou com a seleção do júri na terça-feira. Com isso, os Estados Unidos passaram a ser o primeiro país desde a 2a Guerra Mundial a julgar uma pessoa em um tribunal militar por atos supostamente cometidos quando ela era menor.

Khadr é acusado de matar um soldado norte-americano com uma granada durante um combate numa suposta base da Al Qaeda e de fabricar bombas para alvejar tropas dos EUA no Afeganistão em 2002.

A defesa alega que o jovem de Toronto foi recrutado pelo pai, financista da Al Qaeda, que levou a família para o Afeganistão e empregou Omar como aprendiz em um grupo de fabricantes de bombas que enfrentaram soldados norte-americanos três semanas depois.

"Ele foi forçado a ir lá sem escolhas", disse a jornalistas o advogado de defesa de Khadr, o tenente-coronel do Exército Jon Jackson, na base naval da Baía de Guantánamo.

A Organização das Nações Unidas afirmou que o julgamento é de legalidade dúbia e poderia estabelecer um precedente perigoso para soldados crianças no mundo todo.

"Os padrões de justiça juvenil são claros -- as crianças não devem ser julgadas em tribunais militares", disse Radhika Coomaraswamy, enviada especial da ONU para crianças em conflitos armados.

Mas as autoridades militares no júri indicaram não ver problema com o julgamento de Khadr.

"Alguém acredita que os jovens não deveriam ser processados por crimes violentos?", questionou o promotor aos jurados. "Alguém acredita que o acusado deveria ser mantido num padrão diferente porque ele tinha 15 anos na época dos supostos crimes?". Ninguém disse acreditar.

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