Tropas americanas podem ficar no Iraque ao menos até 2009

Novo plano do Exército e embaixadores sugere a 'restauração da segurança' mas não determina retirada

24 Julho 2007 | 10h43

Enquanto Washington está voltado para o debate sobre os rumos da guerra do Iraque, os comandos americanos no país já preparam um plano detalhado que prevê a permanência das tropas até, pelo menos, 2009, segundo informa uma reportagem no The New York Times nesta terça-feira, 24.  Veja Também Cresce apoio do Irã a milícias no Iraque, dizem EUA O novo plano, o qual representa uma estratégia coordenada entre as tropas americanas e as Embaixadas, sugere a restauração da segurança em diversas cidades, incluindo Bagdá, até a metade de 2008.  Chamado de "Segurança sustentável", o projeto é um desdobramento da nova estratégia do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de enviar novas tropas ao Iraque. Isso sinaliza, sem dúvida, um mudança na meta de transferência para o Exército iraquiano da responsabilidade pela segurança do país, relata o jornal. A proposta surge no mesmo dia em que uma pesquisa revelou que quase 80% dos americanos consideram que Bush é inflexível demais nas suas posições sobre o Iraque.  Realizada pelo jornal The Washington Post e pela rede de televisão ABC, a pesquisa afirma ainda que os entrevistados gostariam que o Congresso decidisse uma possível retirada das tropas. A enquete revelou também que a aprovação de Bush se mantém em seus níveis mais baixos, com 33%. O mais recente plano, que engloba a permanência por um período de mais dois anos, não explicita um aumento no contingente de tropas tampouco de prazos de retirada. Segundo o NYT, as metas para o projeto "segurança sustentável" são bastante ambiciosas, prevendo o diálogo com insurgentes suicidas sunitas, com milícias xiitas renegadas e principalmente no sentido de unir líderes iraquianos com vizinhos sírios e iranianos. Desenvolvido pelo general David Petraeus e pelo embaixador Ryan Crocker, o documento deve ser entregue para o secretário de Defesa Robert Gates nas próximas semanas. Na última semana, O ex-presidente Bill Clinton criticou o governo Bush pelas falhas no Iraque, dizendo que não há sinais de um tão necessário avanço político ou diplomático. "A questão é que não há uma vitória militar aqui", disse ele ao programa Good Morning America, da ABC. Há uma semana, senadores republicanos bloquearam uma proposta democrata para forçar uma retirada das tropas de combate.

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