Mandel Ngan/AFP
Mandel Ngan/AFP

Trump minimiza papel da Rússia em ataque hacker contra os EUA

Presidente americano afirmou que situação está 'sob controle' e voltou a falar em fraude na eleição que terminou com a vitória de Biden

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2020 | 18h28

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, minimizou neste sábado, 19, o ciberataque contra as agências do governo dos Estados Unidos, garantindo que a situação está "sob controle" e subestimando a importância das acusações de seu governo sobre a responsabilidade da Rússia no ocorrido.

"Fui completamente informado e tudo está sob controle", tuitou Trump em seus primeiros comentários públicos sobre o ataque. Ele acrescentou que a "Rússia é o canto prioritário quando algo acontece" e sugeriu que a China "também pode" estar envolvida.

"Também poderia ter havido um ataque às nossas ridículas máquinas de votação" durante a eleição presidencial de 3 de novembro, "que agora é óbvio que ganhei, tornando isso uma vergonha ainda mais corrupta para os Estados Unidos", acrescentou o magnata republicano em sua última acusação infundada de suposta fraude na votação vencida pelo democrata Joe Biden.

Essas declarações são feitas um dia depois que o secretário de Estado Mike Pompeo disse que a Rússia estava por trás do ataque cibernético devastador, que também afetou outros alvos no mundo e, de acordo com especialistas, poderia ter um impacto de longo alcance e levar meses para ser desvendado. "Acho que agora podemos dizer que está bastante claro que foram os russos que participaram dessa atividade", declarou Pompeo no programa The Mark Levin Show na sexta-feira.

Alcance

A Microsoft afirmou na quinta-feira que notificou mais de 40 clientes afetados por malware, o que, segundo especialistas em segurança, permitiu aos atacantes acesso irrestrito às suas redes. Cerca de 80% das pessoas afetadas estão localizadas nos Estados Unidos. A Rússia negou sua participação no ataque.

A Agência de Infraestrutura e Segurança Cibernética dos EUA afirmou na quinta-feira — sem identificar o agressor — que o ataque representava um "sério risco" e frustrá-lo seria "altamente complexo".

Biden expressou "grande preocupação" com a questão, enquanto o senador republicano Mitt Romney culpou a Rússia e criticou o que chamou de "silêncio imperdoável" da Casa Branca.

Neste sábado, o Departamento de Estado informou que os EUA fecharão seus dois últimos consulados na Rússia, o de Vladivostok (extremo oriente) e o de Ecaterimburgo (centro). No entanto, não está claro se essas medidas entrarão em vigor antes de Biden tomar posse, em 20 de janeiro.

Por sua vez, a Otan declarou que estava realizando uma revisão completa de seus sistemas informáticos após o ataque cibernético massivo. /AFP

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