UE apóia envio de monitores à Geórgia para verificar trégua

Ministros de Relações Exteriores do bloco de 27 países se reúnem para analisar o conflito no Cáucaso

INGRID MELANDER E DAVID BRUNNSTROM, REUTERS

13 de agosto de 2008 | 08h58

Os ministros das Relações Exteriores da União Européia expressaram nesta quarta-feira, 13, seu apoio ao envio de monitores do bloco para supervisionar o cessar-fogo entre Rússia e Geórgia, mediado pela França, na região separatista da Ossétia do Sul. "Houve um forte apoio a forças de paz européias, provavelmente haverá forças de paz européias", disse um diplomata da UE que ouviu a discussão na reunião de emergência feita em Bruxelas. Outro diplomata disse que a discussão continua, mas houve extenso apoio ao envio de monitores à região para ajudar a sedimentar uma trégua frágil depois de seis dias de lutas. Pela manhã, o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, conclamou a UE a assumir um papel de supervisão naquela área. O chanceler comandou em Bruxelas a reunião entre os ministros das Relações Exteriores dos 27 países-membros do bloco. "A idéia é ter monitores -- o que vocês chamariam de forças de paz eu não descreveria dessa forma. Sim, monitores, controladores, facilitadores europeus. É assim que a Europa deveria estar presente ali", disse Kouchner a repórteres. O chanceler, que acompanhou o presidente da França, Nicolas Sarkozy, em uma missão para conseguir, na terça-feira, convencer a Rússia a acatar um acordo de paz, disse estar convencido de que o governo russo aceitaria a presença de monitores europeus na Geórgia. Kouchner não descartou a possibilidade de soldados da Rússia fazerem parte da missão. Apesar de testemunhas não terem confirmado essa informação, a ministra georgiana das Relações Exteriores, Ekaterine Tkeshelashvili, afirmou, quando desembarcou em Bruxelas, que a Rússia continuava a atacar a cidade de Gori, que fica dentro da Geórgia mas fora da Ossétia do Sul. "Definitivamente, os monitores europeus precisam estar lá. A Europa tem de se engajar fisicamente e a Europa precisa impedir esse tipo de coisa de acontecer", afirmou a chanceler a repórteres. O ministro sueco das Relações Exteriores, Carl Bildt, que visitou a Geórgia em nome do Conselho da Europa, levantou dúvidas sobre a possibilidade de o governo russo permitir a presença de monitores europeus em áreas que havia capturado ou que mantinha sob seu controle. "Não há sinais de que os russos deixarão alguém mais ingressar ali", disse. "De fato, eu não acredito que isso vá acontecer -- neste momento, os russos controlam essas áreas com afinco." Ajuda humanitáriaO ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, deu apoio à idéia da missão de monitoramento. Segundo Steinmeier, a UE deveria deixar de lado os esforços para apontar os culpados e concentrar-se em desempenhar um papel estabilizador em sua vizinhança, mantendo abertos os canais com a Geórgia e a Rússia. No entanto, divergências sobre quais conclusões tirar da ação militar russa no território georgiano surgiram quando os ministros chegaram para a reunião, um tipo de encontro que raramente acontece em agosto. O ministro britânico das Relações Exteriores, David Milliband, disse que a UE deveria decidir, no próximo mês, "se daria continuidade ou não" às negociações para selar laços mais profundos com a Rússia. Milliband observou que o Grupo dos Sete (G7, que reúne as maiores potências industrializadas do mundo) vinha coordenando sua resposta à crise na Geórgia sem envolver a Rússia. "Segundo o desejo da comunidade internacional, precisamos deixar claro que a força não é a forma correta de resolver essas complicadas questões", afirmou o chanceler. Os ministros avaliavam também a possibilidade de enviar mais ajuda humanitária à região depois de o presidente russo, Dmitry Medvedev, ter suspendido as operações militares na terça-feira e ter concordado com o projeto de acordo de paz apresentado pela França. O presidente georgiano, Mikheil Saakashvili, aliado do Ocidente e que provocou a retaliação russa ao enviar soldados para a Ossétia do Sul na semana passada, aceitou na terça-feira, em Tbilisi, uma versão um pouco modificada do plano de Sarkozy.

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