Um mandato ou 2 para Obama? Como sempre, a economia é a chave

É sempre a economia, estúpido. A célebre frase, cunhada em 1992 pelo assessor político James Carville para explicar o que levaria Bill Clinton à vitória eleitoral, deve servir para determinar se Barack Obama terá um ou dois mandatos como presidente dos EUA --tudo vai depender de como estiver o bolso do eleitor em 2012. Diante de um fluxo ininterrupto de más notícias econômicas, Obama promete agir rapidamente contra a pior recessão das últimas décadas. De fato, ele ainda tem bastante tempo para melhorar a perspectiva fiscal do país antes de enfrentar as urnas novamente em novembro de 2012. "A verdade é que raramente alguém que disputa a reeleição é derrotado na ausência de uma turbulência econômica", disse Jeremy Mayer, professor de Políticas Públicas da Universidade George Mason, em Fairfax, na Virgínia. "Há uma tremenda vantagem em ocupar o cargo." O mais importante, segundo os analistas, é aquilo que acontece nos meses prévios ao pleito. "O que você quer evitar se quiser ser reeleito é um ano eleitoral ruim para a economia", disse Allan Lichtman, historiador presidencial da Universidade Americana, de Washington. Só 12 presidentes cumpriram apenas um mandato depois de eleitos para o cargo --e só dois perderam a chance de serem reeleitos desde a Grande Depressão, Jimmy Carter e George H. W. Bush Antes, houve Herbert Hoover, cujo único mandato terminou, em 1933, sob o signo da Grande Depressão. "O que eles tiveram em comum, entre outras coisas, foi a economia ruim", disse Lichtman. Na opinião dele, os presidentes sem visão política, ruins de comunicação e incapazes de inspirar o povo tendem a ficar com um só mandato. Até agora, esses não são defeitos que observadores apontem em Obama. Na verdade, os presidentes dos EUA que foram considerados os comunicadores mais inspirados usaram crises econômicas para chegar ao cargo. Foi o caso de Clinton na campanha de 1992 e de Ronald Reagan na de 1980, quando o republicano ganhou votos ao perguntar aos eleitores se a vida deles havia melhorado nos quatro anos prévios de governo democrata. O próprio Obama avançou nas pesquisas, em 2008, quando a crise econômica se agravou. Para manter seu emprego em 2013, Obama dependerá de que os outros norte-americanos não percam os seus. Mas Lichtman alertou que sua atuação como comandante do barco da economia pode ser limitada. "Com ou sem razão, as pessoas esperam que o presidente guie a economia de modo a gerar prosperidade", afirmou. "Mas o presidente não controla a economia. Ele pode apenas influenciar a economia."

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