Único oficial processado no caso Abu Ghraib é absolvido

Coronel foi considerado culpado apenas por desobedecer ordens de não discutir publicamente a investigação

Efe,

11 de janeiro de 2008 | 01h05

O Exército americano retirou uma declaração de culpabilidade emitida contra o único oficial processado pelo escândalo de torturas a prisioneiros iraquianos na prisão de Abu Ghraib, confirmou nesta quinta-feira, 10, um porta-voz das Forças Armadas dos Estados Unidos. Fontes militares disseram que uma corte marcial só declarou culpado o coronel Steven Jordan por desobedecer ordens de não discutir publicamente a investigação do caso. Como punição, o general Richard Rowe, comandante do Distrito Militar de Washington, ordenou que Jordan fosse repreendido. O coronel foi absolvido em agosto de 2007 após ser acusado de não ter supervisionado devidamente onze soldados acusados de participar dos abusos contra os prisioneiros, que incluíram fotografias em posições sexuais humilhantes. A publicação das fotos em 2004 constituiu-se em uma mancha no prestígio militar dos Estados Unidos e gerou um escândalo no país e protestos de grupos nacionais e internacionais de defesa dos direitos humanos. "Em vista da natureza da falta pela qual (Jordan) foi declarado culpado e das provas atenuantes apresentadas pela defesa no julgamento e depois dele, Rowe determinou que a reprimenda era uma conclusão justa e adequada do assunto", disse em entrevista Joanna Hawkins, porta-voz do Exército. Jordan, que estava a cargo do centro de interrogatórios de Abu Ghraib, afirmou que nunca participou dos abusos e denunciou que as autoridades militares queriam transformá-lo em um bode expiatório. Se fosse declarado culpado, enfrentaria uma condenação a cinco anos de prisão e seria expulso do Exército. Os tribunais militares declararam culpados onze soldados de patente inferior por sua participação no caso. Outros dois oficiais receberam medidas disciplinares, mas nenhum enfrentou acusações criminais ou a possibilidade de ser expulso do Exército. "Estou um pouco assustado com tudo, mas agradecido e feliz por o general Rowe ter visto a situação como era", disse Jordan ao jornal The Washington Post. "Não sei se algum outro oficial teve responsabilidade, mas evidentemente eu não tive", acrescentou. No entanto, a decisão foi criticada por grupos de defesa dos direitos humanos, que disseram que os castigos deveriam ter ido mais acima na cadeia de comando. "É claro que os abusos a prisioneiros no Iraque e Afeganistão foram resultado de políticas autorizadas ao mais alto nível militar e civil", disse uma porta-voz do Projeto Segurança Nacional da União de Liberdades Civis dos EUA (ACLU, em inglês). "Os abusos foram sistemáticos e generalizados, mas a responsabilidade não", acrescentou.

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