Vazamento de plano de ataque suicida preocupa especialistas

Especialistas no combate ao terrorismo expressaram preocupação nesta sexta-feira com os vazamentos nos EUA de informações sobre uma operação secreta que frustrou um atentado a bomba suicida, afirmando que a exposição pode dissuadir agentes de se voluntariarem para o trabalho arriscado de se infiltrar na rede al Qaeda.

WILLIAM MACLEAN, REUTERS

11 Maio 2012 | 15h50

Embora os métodos eletrônicos sejam cada vez mais utilizados em operações de espionagem de todos os tipos, a inteligência humana continua a ser crucial porque os melhores agentes da al Qaeda tentam evitar o uso de quaisquer comunicações eletrônicas para minimizar a chance de detecção.

A inteligência britânica desempenhou um papel central na operação envolvendo o braço iemenita da al Qaeda, disseram fontes de combate ao terrorismo à Reuters, ao recrutarem o informante que obteve a bomba e entregou a oficiais de inteligência ocidentais.

O agente infiltrado no plano ligado à al Qaeda na Península Arábica, ou AQAP, era um cidadão britânico, possivelmente de origem saudita, disseram as fontes sob condição de anonimato. O informante estava trabalhando em cooperação com as duas principais agências de espionagem da Grã-Bretanha.

A operação parece ter sido conjunta entre os serviços de inteligência britânicos, sauditas e dos EUA, dizem alguns analistas, e sua exposição na mídia norte-americana causou preocupação generalizada na comunidade de inteligência dos EUA.

Os sauditas e britânicos também parecem estar preocupados.

"Os sauditas não estão satisfeitos com o vazamento dessas informações", afirmou Mustafa Alani, analista de segurança com bons contatos entre os governos do Golfo Árabe.

"É potencialmente perigoso para as operações futuras. E são os sauditas que têm os agentes no terreno para obter essas coisas."

Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, se recusou a discutir o assunto, mas afirmou: "Claramente acreditamos que informações sensíveis devem ser protegidas".

A operação parece ter sido um sucesso notável no combate ao terrorismo para os Estados Unidos e seus aliados, com o uso inteligente de um agente dentro da al Qaeda provavelmente proporcionando satisfação especial para Washington dois anos e meio após o segundo ataque mais mortal contra a CIA.

Em 30 de dezembro de 2009, um agente duplo jordaniano, Humam Khalil abu Mulal al-Balawi, se explodiu dentro da Base Operacional Avançada Chapman, um complexo norte-americano bem fortificado na província de Khost, no sudeste do Afeganistão, matando sete agentes da CIA e um oficial de inteligência jordaniano.

O ataque mostrou que os militantes estavam mais interessados em matar espiões ocidentais do que se infiltrar em suas redes, enfatizando o grande desafio para os serviços ocidentais que procuram plantar um informante entre os quadros superiores da al Qaeda.

Ainda assim, a divulgação da última operação pode tornar menos provável que outros venham realizar um trabalho secreto contra a al Qaeda no futuro, dizem analistas.

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