Vazamentos do WikiLeaks preocupam governos na América Latina

Governos latino-americanos manifestaram na segunda-feira preocupação com os eventuais efeitos sobre a diplomacia norte-americana do vazamento de milhares de documentos sigilosos feito pelo site WikiLeaks, inclusive com opiniões negativas e denúncias sobre líderes da região.

DANIELA DESANTIS, REUTERS

29 de novembro de 2010 | 21h44

Segundo vários veículos de comunicação que tiveram acesso aos documentos divulgados pelo site "dedo-duro", funcionários diplomáticos dos EUA solicitaram a governos da região, como o do Paraguai, que investigassem a presença de militantes islâmicos em seus territórios.

As comunicações diplomáticas --que deveriam ser sigilosas-- também fazem comentários brutalmente francos sobre o estado mental dos presidentes da Argentina e da Venezuela.

"É um problema grave(... do ponto de vista da segurança das comunicações confidenciais entre as chancelarias e organizações", disse a jornalistas no Chile o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, José Miguel Insulza.

Autoridades paraguaias convocaram a embaixadora dos EUA em Assunção, Liliana Ayalde, para ouvir explicações e para lhe entregar uma nota de protesto.

A diplomata disse que o vazamento foi "lamentável". "Condenamos esse tipo de ação... Não vamos entrar em detalhes, mas isso põe em perigo pessoas e pode afetar relações entre países", afirmou ela a jornalistas ao deixar a reunião.

"O trabalho de um diplomata é recolher impressões, visões, e isso... não implica uma política de posição", acrescentou Ayalde, que entregou a jornalistas uma nota da Casa Branca sobre o tema.

Segundo a imprensa local, os documentos do WikiLeaks mostram que os EUA investigaram um possível apoio financeiro do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, ao presidente paraguaio, Fernando Lugo, durante a eleição presidencial paraguaia de 2008.

Além disso, o governo dos EUA pediu à sua embaixada em Assunção que averiguasse a eventual presença de militantes islâmicos na região de Tríplice Fronteira (com Argentina e Brasil).

Quanto a Chávez, principal rival dos EUA na região, os documentos divulgados mostram que as autoridades dos EUA o qualificavam de "louco". Em outro documento, sugere-se que a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, tinha preocupações com a saúde mental da presidente argentina, Cristina Kirchner.

Nem Cristina, nem Chávez nem nenhum outro líder sul-americano se manifestou publicamente sobre os documentos. Antes da reunião com Ayalde, o chanceler paraguaio, Héctor Lacognata, disse que os relatos, se confirmados, configurariam uma ingerência em assuntos internos do seu pais.

(Reportagem de Daniela Desantis em Assunção. Colaboraram Antonio de la Jara em Santiago e Teresa Céspedes em Lima)

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