Vento diminui, mas Califórnia segue com incêndios

San Diego espera deixar que algumas das 500 mil pessoas que deixaram suas casas comecem a retornar

Adam Tanner, da Reuters,

24 de outubro de 2007 | 20h23

Os bombeiros da Califórnia tiveram um respiro nesta quarta-feira, 24, após quatro dias de intenso trabalho, graças à diminuição do vento, e San Diego espera deixar que algumas das 500 mil pessoas que deixaram suas casas comecem a retornar.  Veja também:Incêndios deixam 1 milhão de desabrigados na Califórnia Bush viaja para avaliar catástrofe Chamas ameaçam mansões de famososGovernador pede ajuda de Guarda Nacional Incêndios atrapalham filmagens de seriados Reportagem da CBC (YouTube)Reportagem da Midwest Television (YouTube) O céu de grande parte do Estado mais rico dos EUA continuava coberto por uma espessa e irritante fumaça, o que obriga os moradores a ficarem em suas casas usando máscaras. O governador Arnold Schwarzenegger disse que havia 18 incêndios nesta quarta, ameaçando 25 mil edifícios e outras estruturas. Quase 1.500 casas já foram perdidas. San Diego é a localidade mais atingida, com prejuízos estimados em mais de US$ 1 bilhão. Mais de 500 mil pessoas tiveram de deixar suas casas, na maior retirada em massa da história moderna da Califórnia. Muitos aguardam autorização das autoridades para voltarem, sem saber o que aconteceu com suas casas e posses. Pelo menos seis pessoas morreram e 40 ficaram feridas ou intoxicadas, entre elas muitos bombeiros. Dois grandes focos de incêndio se juntaram no Condado de San Diego, queimando mais de 80 mil hectares, quase metade da área total atingida no Estado. "Temos vários tremendos incêndios ainda ocorrendo", disse o prefeito de San Diego, Jerry Sanders. O Condado de Los Angeles suspendeu o alerta contra ventos adotado há quatro dias por causa do vento quente que vem do deserto e provocou o primeiro incêndio na sofisticada localidade litorânea de Malibu, onde na quarta-feira a vida começava a voltar ao normal. Mas o fogo continua dominando as montanhas a leste de Los Angeles, embora os bombeiros se digam aliviados com a redução do vento, que chegou a ter rajadas de 130 quilômetros por hora, mas caiu para 80 quilômetros por hora. Schwarzenegger disse que 8.900 bombeiros continuam na linha de combate às chamas. "Muitos deles trabalharam 36 e 48 horas sem parar", afirmou. O presidente George W. Bush declarou situação de "desastre maior" em sete condados do sul da Califórnia, o que permite mais ajuda federal. Ele viaja na quinta-feira à região. Autoridades locais, estaduais e federais montaram estrutura para oferecer comida, abrigo e atendimento médico aos desabrigados. Ao contrário do que ocorreu em 2005 quando o furacão Katrina devastou Nova Orleans, desta vez não há cenas de desespero entre as cerca de 14 mil pessoas que já passaram duas noites no estádio de futebol americano Qualcomm, em San Diego. Muitos dos desabrigados na verdade se disseram agradavelmente surpresos com a reação oficial, já que há água e comida abundante, atividades para entreter as crianças e até sessões de ioga, acupuntura e massagem para tirar o estresse dos adultos. Há atenção especial até a animais, pois cavalos estão sendo acomodados num parque de exposições do condado. Autoridades locais disseram que, mesmo depois que as chamas forem debeladas, ainda haverá enormes gastos e um grande trabalho de limpeza. "Com base nas estimativas iniciais, só as casas danificadas ficarão acima de US$ 1 bilhão", disse Ron Lane, diretor de serviços de emergência do condado de San Diego, em entrevista coletiva. (Reportagem adicional de Dana Ford em Del Mar)

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