Vice de Bush diz que ex-presidente deixou de seguir conselhos

Dick Cheney prepara livro de memórias para o ano que vem no qual "não vê motivos para não contar a verdade"

Associated Press,

13 de agosto de 2009 | 14h32

O ex-vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, diz acreditar que o ex-presidente George W. Bush deixou de seguir seus conselhos gradualmente durante seu segundo mandato, mostrando independência e assumindo posições mais flexíveis em uma série de assuntos, segundo entrevista publicada nesta quinta-feira, 13, pelo site do diário americano Washington Post.

 

Cheney, considerado por muitos como o vice-presidente mais influente da história dos Estados Unidos, falou sobre seus anos no cargo em conversas informais com escritores, diplomatas, especialistas políticos e colegas enquanto trabalha para um livro de memórias com lançamento previsto para 2010, segundo o jornal.

 

Segundo a publicação, Robert Barnett, que negociou o contrato editorial de Cheney, disse aos potenciais editores que o livro estaria cheio de revelações, e o próprio ex-vice-presidente disse, sem explicar, que o "segredo de Estado" já não está vigente para muitos de seus segredos.

 

O livro contará a carreira política de Cheney, desde quando foi chefe de gabinete do presidente Gerald Ford até se tornar o vice de Bush. "Quando o presidente tomou decisões com as que eu não estava de acordo, o apoiei de todas as formas", revelou Cheney, segundo Stephen Hayes, seu biógrafo autorizado. Agora estamos falando depois que deixei o cargo. Tenho opiniões firmes sobre o que aconteceu e não tenho nenhuma razão para não expressá-las honestamente", completou.

 

Segundo Barton Gellman, autor do artigo no Washington Post, que anteriormente escreveu um livro sobre Cheney chamado "Angler", o ex-vice considera que Bush fez concessões à opinião pública, algo que considera uma debilidade moral. Depois de anos ao lado de Bush, Cheney agora indica que o ex-presidente é um político normal, disse Gellman.

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