Vice-presidente dos EUA pressiona curdos por acordo petrolífero

O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, pressionou nesta quinta-feira os líderes da região semiautônoma iraquiana do Curdistão a aceitarem um acordo a respeito da polêmica que envolve a administração e divisão da vasta riqueza petrolífera do país.

REUTERS

17 de setembro de 2009 | 18h49

Biden disse não esperar que a antiga disputa por terras e petróleo entre a minoria curda e o governo de Bagdá, liderado pela maioria árabe xiita, se resolva antes da eleição nacional de janeiro. Ele afirmou, no entanto, que "há boa fé e um desejo genuíno de alcançar um compromisso justo."

Ele se reuniu em Arbil com o presidente do Iraque, Jalal Talabani, que é curdo, e com Masoud Barzani, presidente dessa região no norte do país, mas não deu detalhes da conversa.

Os curdos há muito tempo sonham em ter um Estado próprio, e esperam ampliar as fronteiras da sua região. Por enquanto, não há sinais de que eles ou o governo do primeiro-ministro Nuri Al Maliki estejam dispostos a ceder.

Biden chegou na terça-feira ao Iraque, e uma fonte do governo norte-americano disse que ele levaria aos líderes curdos o mesmo recado que dera na quarta-feira aos dirigentes iraquianos em Bagdá --que é do interesse de todos no país "aceitar um pedaço ligeiramente menor de uma torta muito maior."

Biden já chegou no passado a propor uma divisão do Iraque em três regiões separadas, para curdos, árabes sunitas e árabes xiitas. Desta vez, porém, foi defender uma maior unidade política no país.

Embora a violência tenha diminuído significativamente no Iraque, ainda há tensões entre os sunitas, outrora dominantes, os xiitas, que são majoritários, e os curdos. Os piores incidentes atualmente se concentram em áreas onde há coexistência dos três grupos, como Kirkuk, cidade petrolífera que os curdos desejam incorporar à sua região.

Há quem tema que isso possa desestabilizar o país, repetindo as tensões sectárias ocorridas em 2003, mas em um momento em que os EUA se preparam para encerrar a sua ocupação.

O governo de Barack Obama precisa que o Iraque esteja forte e estável para que os EUA possam transferir seu foco para o combate à insurgência islâmica no Afeganistão.

(Reportagem de Ross Colvin)

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